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É a hora de cumprir o nosso dever

Cinthia Milanez e Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 7 min

Após mais de dois meses de quarentena, em Bauru, é chegada a hora, mais do que nunca, da responsabilidade compartilhada. Às vésperas da flexibilização parcial de alguns serviços não essenciais, prevista para esta segunda-feira (1), vale o alerta: se a população não cumprir seu dever com as regras sanitárias e sociais vigentes, o município pode registrar uma explosão de casos da Covid-19 e, consequentemente, retomar o isolamento social mais rígido. Os empresários também devem fazer a sua parte, com todas as precauções necessárias (leia mais na página ao lado).

Na última sexta-feira (29), a reportagem percorreu vários bairros da cidade para verificar se as pessoas, de fato, estão respeitando as recomendações. Na região central, a movimentação de veículos se sobressaía à de pedestres. A maioria deles usava máscaras e se distanciava entre si, até mesmo, nos pontos de circulares.

Ainda nesta área, os poucos estabelecimentos abertos proibiam a entrada do público. Muito provavelmente, tal comportamento mais prudente esteja relacionado ao fato de as pessoas se sentirem sob vigilância, afinal, transitavam por uma das regiões mais movimentadas do município.

Já nos bairros afastados do Centro, o cenário era outro. Crianças andando de bicicleta ou soltando pipa, além de jovens reunidos nas praças. Boa parte dos funcionários dos estabelecimentos comerciais também deixou as máscaras de lado.

Titular da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), Letícia Rocco Kirchner reconhece o problema, mas acredita que muita gente passou a aderir mais ao EPI em questão do início da quarentena para cá.

De acordo com a secretária, a prefeitura estuda a possibilidade de utilizar policiais militares em atividade delegada para ajudar a conscientizar a população neste sentido (leia mais abaixo).

Ela frisa que, apesar da flexibilização, a quarentena continua. "A nossa situação epidemiológica permitiu que tomemos medidas favoráveis às atividades econômicas. Caso as pessoas percam a visão de que vivenciamos um momento sério, as chances de voltarmos ao que era antes ou, quem sabe, implantarmos restrições mais radicais são altas", diz.

Em vista disso, as equipes de fiscalização, coordenadas pela Seplan, estarão focadas em orientar os comerciantes na primeira semana de flexibilização. Depois, se houver qualquer descumprimento, existe a possibilidade de aplicação de multa e interdição. A Vigilância Sanitária ainda estuda os valores das autuações.

Letícia aproveita para reforçar a responsabilidade social por parte dos estabelecimentos, principalmente, no que diz respeito à comunicação com os seus funcionários e o público em geral. "A prefeitura, inclusive, distribuirá um material gráfico para afixar nestes locais a partir da semana que vem", revela.

FESTAS CLANDESTINAS

Conforme o JC já noticiou, as festas clandestinas são outro desafio para o município, que, dificilmente, consegue qualificar os seus responsáveis.

Segundo a titular da Seplan, as equipes de fiscalização atendem a todas as denúncias do tipo, em parceria com a Polícia Militar (PM). O poder público já chegou a registrar boletins de ocorrência (BOs) por descumprimento das normas sanitárias.

A secretária pede mais paciência à população. "A nossa condição atual permite dar um respiro às atividades econômicas e não podemos desperdiçar tal oportunidade", reforça.

Coordenador da Ouvidoria da cidade, que recebe as denúncias envolvendo o descumprimento dos decretos municipais, Elson Reis acredita que a flexibilização parcial mudará o perfil das queixas, mas as festas clandestinas e as reuniões familiares, por exemplo, devem seguir entre as mais frequentes.

Ele também aproveita para reafirmar que não houve uma liberação geral. "Logo, a população precisa se conscientizar que não basta seguir o decreto pelo decreto. A lei tem uma razão para existir, que é a de poupar vidas", argumenta.

Até agora, a maioria das denúncias envolve locais que não podem atender ao público e, mesmo assim, tentam fazê-lo. Entretanto, Elson acredita que, com menos restrições, as queixas deverão se voltar àqueles estabelecimentos que descumprirem alguma regra, como o uso obrigatório de máscaras.

Polícia Militar seguirá atuando para evitar aglomerações

Independentemente de colocar policiais militares em atividade delegada para orientar a população sobre a necessidade de usar máscaras, o 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I) também tem atuado para evitar que a pandemia piore na cidade. A corporação esclarece que, ao se deparar com aglomerações, procura conscientizar os envolvidos, explicando os riscos quanto à disseminação do novo coronavírus.

Em nota, o Batalhão informa que a maioria das queixas que recebe sobre o descumprimento da legislação vigente diz respeito a ocorrências deste tipo. Ainda segundo a polícia, não existe um local específico da cidade com maior incidência de aglomerações.

O 4.º BPM-I destaca, também, que promove o policiamento ostensivo em Bauru e 18 municípios da região. A corporação alega que trabalha alinhada às orientações dos decretos estaduais sobre a quarentena.

Por isso, intensificou o patrulhamento pelas ruas, inclusive, com pontos de estacionamento para viaturas em locais de atividades essenciais, como farmácias, supermercados etc. Tal ação será mantida até o fim da pandemia.

EMPRESAS SE ADAPTAM A RETOMADA

Como todos precisam fazer sua parte neste momento, as empresas de Bauru também estão se adaptando para a retomada das atividades a partir desta segunda-feira (1). Com a autorização para a volta de segmentos que estavam parados por causa do isolamento social, os empresários correram nos últimos dias para preparar a abertura dos estabelecimentos, obedecendo às regras de segurança e com as medidas de higiene para reduzir o risco de contaminação pelo coronavírus. Em algumas áreas, como bares e restaurantes, a volta será lenta, com maior restrição de presença do público.

No retorno das atividades, o uso de máscara segue obrigatório para funcionários e clientes. O empresário Carlos Prando, da Comprando Nacionais e Importados, afirma que o restaurante da loja reabrirá a partir de amanhã, seguindo as determinações vigentes. "A parte de vendas da loja não parou, pois atuamos como mercado, mas o restaurante estava fechado. Vamos voltar a atender nesta segunda-feira, com petiscos e fondues, e abrindo apenas a parte externa, com mais distância entre as mesas. A parte interna continuará fechada neste começo", informa.

O proprietário do La Terrasse Bistrô, Dorival Tadeu Dias Capelini, também voltará a receber clientes a partir desta segunda. "Vamos ter poucas mesas. O nosso espaço comporta 60 pessoas, mas vamos receber, por enquanto, bem menos do que isso. E manteremos muita distância entre as mesas. Os cardápios terão reforço na higienização e também diminuímos a oferta de pratos, uma vez que estamos retornando após mais de dois meses. Nesse período, fizemos uma linha de pratos congelados, que o cliente levava para casa, e isso continuará, pois esta fase de agora é uma readaptação para nós e para o cliente".

BARES E RESTAURANTES

O presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Bauru e Região, Carlos Momesso, afirma que o segmento foi um dos mais afetados pela crise. "Antes da pandemia, já havia alguma dificuldade para as empresas. E a área de alimentação foi muito atingida, porque teve que fechar mesmo, sem receber ninguém. As empresas vão voltar a funcionar, seguindo as determinações, com as devidas restrições. Mas entendo que a prefeitura poderia ter escutado mais esse segmento. Estamos, inclusive, pedindo a assinatura do projeto do Plano Estratégico do Sincomércio, já aprovado pela Câmara, pois coloca de forma bastante objetiva como essa volta pode acontecer com segurança", detalha.

IMOBILIÁRIAS

As imobiliárias também podem voltar a atender a partir desta segunda-feira, com as devidas restrições. O empresário Daniel Moraes, da Moraes Imobiliária, destaca que todos os procedimentos para garantir a segurança dos clientes e funcionários serão tomados. "A imobiliária vai manter a distância exigida entre os profissionais seguindo as recomendações das autoridades de saúde. Também vamos limitar a quantidade de pessoas por reunião e os atendimentos serão realizados individualmente. Garantiremos absoluta segurança e tranquilidade tanto para os colaboradores quanto para os nossos clientes", explica.

Para Moraes, a reabertura neste momento é importante, desde que seja feita de forma consciente. "Saúde e economia são prioridades. Um não existe sem o outro. O que precisa agora é ter consciência e colaborar. Se cada um fizer a sua parte, vamos vencer essa batalha com muito mais rapidez", avalia.

Os corretores, segundo ele, continuarão usando a tecnologia para atender a todos, com reuniões por videoconferência e transmissão direta de imagem e voz para mostrar os detalhes de imóveis. Eventos que a empresa promovia continuam suspensos neste momento.

Salões de beleza e manicures

Os salões de beleza, cabeleireiros, barbeiros e manicures também estão autorizados a voltar a partir de amanhã, com hora marcada e sem ficar ninguém em salas de espera. Eles também receberão um número limitado de clientes por vez, com distanciamento entre eles.

Sócio da Joana e Rubens Beleza e Cosméticos, Rubens Salvador de Oliveira afirma que também se preparou para a retomada. "Vamos oferecer toda a higienização das mãos e dos calçados e aferição de temperatura. Por aqui, iremos até além do que é obrigatório, pois tanto o funcionário quanto o cliente devem sentir segurança nesse retorno. Precisamos cumprir bem essa fase, para que a situação seja controlada e mais segmentos possam ir voltando, com os devidos cuidados", frisa.

SERVIÇO

Para denunciar qualquer desrespeito à legislação municipal vigente, basta entrar em contato com a Ouvidoria, através do (14) 3235-1156. O serviço funciona de segunda a segunda-feira, das 7h às 23h. Existe, ainda, a possibilidade de acionar a Polícia Militar (PM), por meio do 190.

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