Reflexões indispensáveis se impõem em meio à crise pandêmica a qual a humanidade enfrenta. Neste sentido observamos uma aceleração da história, a mutação de paradigmas e a construção de novas bases. Uma das convicções que parte da classe dominante brasileira apregoa, muito por sua mentalidade colonizada do que por própria edificação, é da conceituação do Estado Mínimo. Tese esta que nasce com Adam Smith e que dá ensejo ao liberalismo, pregador de que na economia é necessário que o peso do setor público seja mínimo, com o livre mercado e sua autorregulamentação, ou seja, o Estado Liberal adverso do Estado de Bem-Estar Social, uma contraposição ao keynesianismo que advoga uma maior intervenção do Estado para seu desenvolvimento.
Discussão filosófica e acadêmica que impacta profundamente em nossa sociedade; caso exemplar é nosso atual "governo" com o ideário ultraliberal adotado, e suas trágicas consequências sentidas com a crise pandêmica e econômica vivenciadas atualmente. Seja na Ásia, na Europa ou nos Estados Unidos somente o Estado é capaz de responder às demandas necessárias neste momento de crise. O dito mercado endeusado pelos liberais, como o caso o ministro Paulo Guedes, não salva nenhuma vida.
A esperança de uma solução definitiva para este morticínio deixado pelo Covid-19 é a ciência; não há solução sem ciência. Entretanto, há uma profunda e inexorável incompatibilidade entre a ciência e o estado mínimo, pois ciência se faz com investimento do Estado, com universidades fortes, equipamentos modernos e com a inteligência insubstituível do homem.
No Brasil, as ruínas de nossas universidades, seus laboratórios e os institutos de pesquisa, que se encontram em estado falimentar, refletem a visão torpe do liberalismo sobre a educação. Com a ideologização do ensino descortina-se o negacionismo e a pouca aptidão do atual governo com a ciência e sua fase fundamentalista. A busca da vacina ou de algum medicamento que possa frear a pandemia é uma busca cientista. Não é crível de racionalidade negar a gravidade do vírus ou receitar remédios cuja eficácia não tenha aparo científico.
O pouco investimento, as privatizações desastrosas e o sucateamento dos institutos de pesquisa condenam a ciência, amortecem a soberania dos países e impedem a busca de uma solução rápida. O receituário de Adam Smith, assim como os ensinamentos da escola de Chicago, seguidos pela economia brasileira, mostram toda nossa fragilidade, as vísceras de nosso subdesenvolvimento e a face cruel e desumana do liberalismo e do Estado Mínimo.