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Mais prejudicados


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Após os anúncios de que as ligas nacionais de Espanha, Inglaterra e Itália irão retomar suas disputas neste mês de junho, os clubes que disputam essas competições já trabalham com planos para recuperar a normalidade dos treinos e a condição física necessária de cada jogador para o futebol competitivo. Nessa corrida contra o tempo, atletas estão tendo de readequar o corpo e a mente para as cargas de treinamento a que estavam acostumados há mais de dois meses, quando o futebol parou em razão da pandemia.

Na opinião de Taffarel, preparador de goleiros da Seleção Brasileira, os jogadores que mais sentirão os efeitos da parada serão justamente os donos da camisa 1. "O jogador de linha faz um reforço, uma corrida e consegue manter essa preparação física. O goleiro perde muito, porque ele não tem a referência de um chute, de uma posição no gol, então vai sofrer bastante na volta. Tem que intensificar os treinamentos, com bons trabalhos, para recuperar tudo", diz Taffarel.

Titular da Seleção, o goleiro Alisson voltou aos treinos com o Liverpool no início de maio, quando os clubes da Premier League foram autorizados a retomar as atividades, desde que os atletas trabalhassem individualmente. Reserva de Alisson no time do Brasil, Ederson, atual bicampeão do torneio com o Manchester City, também voltou a pisar no gramado para trabalhar com a comissão técnica da equipe.

Na semana passada, a elite inglesa deu mais um passo rumo ao retorno, com a liga permitindo o contato físico entre jogadores nos treinamentos. Por conta de uma lesão no quadril sofrida em um treino do Liverpool, Alisson havia ficado fora da convocação para a estreia do Brasil nas Eliminatórias, contra o Peru, adiada em razão da pandemia da Covid-19.

Na lista do técnico Tite, além de Ederson, foram convocados Weverton, goleiro titular do Palmeiras, e o jovem Ivan, da Ponte Preta. A dupla que atua no futebol paulista ainda espera pela autorização para a volta dos treinamentos com seus respectivos clubes.

Taffarel conta que tem mantido contato com os goleiros da Seleção, mas que as limitações impostas pela pandemia não permitem direcionar o trabalho ou fazer uma observação minuciosa dos atletas. "Tenho falado com o Alison, com o Weverton falo de vez em quando. Mas não dá para ficar acompanhando muito eles. Vai chegar um momento em que irão voltar aos treinamentos, aí sim, reinicia-se esse acompanhamento. Até pessoalmente", afirma o ex-goleiro.

MURALHA

Sem entrar em campo há mais de dois meses devido à pandemia causada pelo novo coronavírus, Alex Muralha, destaque do Coritiba, também acredita que o retorno do futebol será ainda mais difícil para os goleiros em comparação aos atletas de linha. "Nossas atividades são muito específicas", afirmou o jogador."

"Trabalhamos com quedas, saída de gol, reposição... É um treinamento diferente dos jogadores de linha. A gente até procurou fazer algo parecido com isso em casa, mas obviamente que não é a mesma coisa. Por outro lado, tenho certeza que a parte física não será um problema, pois nisso os treinos foram diários e em vários períodos", acrescentou.

O jogador acabou revezando o período de quarentena entre a sua casa em Curitiba e a residência dos seus pais, no interior de Minas Gerais. Ele contou que está aproveitando o tempo longe dos gramados para ficar ao lado da família e aprender coisas novas. "Tenho feitos cursos online motivacionais, de culinária, aprendendo a tocar cavaquinho, que já era algo que eu gostava. Tenho conseguido ficar mais próximo da família, mas também tenho tentado aperfeiçoar ainda mais minha condição física", conta Muralha.

"Sei que quando o futebol retornar, vai voltar com tudo, e preciso estar num ritmo legal, apesar de que, tecnicamente, os goleiros irão sofrer mais neste retorno", avaliou.

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