O nome podia ser de quatrocentona, mas sua verdadeira vocação era a liberdade, que encontrou nos palcos. A paulistana Maria Alice Monteiro de Campos Vergueiro, mais conhecida por Maria Alice Vergueiro, morreu aos 85 anos, em São Paulo, nesta quarta-feira (3), deixando um legado precioso nos palcos e fora deles.
Ela estava internada no Hospital da Clínicas, para tratamento de pneumonia, e seu corpo será cremado nesta quinta-feira, em Itapecerica da Serra, segundo informou sua filha Maria Silvia.
Pedagoga, professora, atriz e diretora, ela formou alunos como Cacá Rosset, com quem fundou o irreverente Grupo Ornitorrinco (ao lado do ator, já falecido, Luiz Roberto Galizia), participou de montagens históricas, como O Rei da Vela, dirigida por José Celso Martinez Corrêa, e pode ser definida como a maior atriz experimental de sua geração, no sentido de estar sempre aberta a novos autores e linguagens.
Foi intérprete de clássicos (Shakespeare, Molière), modernos (Brecht, García Lorca) e contemporâneos (Jodorowsky) com a mesma paixão, a mesma dedicação com que entrou no teatro pela primeira vez, em 1962, para participar de uma montagem de A Mandrágora, sob direção de Augusto Boal.
Em mais de meio século de teatro, Maria Alice trabalhou com grandes diretores, além dos nomes já citados, de Gerald Thomas a Felipe Hirsch, contracenou com os melhores atores brasileiros (Paulo Autran, entre eles), mas isso não a transformou num diva.
Antes, gostava de se atirar em novas experiências ao lado de garotos e garotas de gerações mais novas, sempre testando os limites da plateia - e, por que não dizer, os próprios limites, mesmo que isso significasse trair um clássico. Daí ser chamada de "musa do underground' ou de "velha dama indigna", título algo limitadores que não fazem justiça ao enorme talento e vozeirão da atriz.