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Encerramento repercute

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Tristeza, surpresa, frustração, expectativa, insegurança. Diversos sentimentos foram despertados com a notícia da suspensão das atividades do Noroeste e do encerramento dos contratos com todos os seus profissionais do clube, incluindo os jogadores. Representantes da equipe, imprensa, poder público e torcida lamentaram o momento crítico atravessado pelo Norusca. 

O técnico do Alvirrubro, Luiz Carlos Martins, destacou que a decisão da diretoria levou em consideração a falta de previsão para retorno da Série A3 do Campeonato Paulista e o vencimento, em maio, dos contratos da maioria dos jogadores do Norusca. "A gente fica triste, porque a nossa expectativa era retornar, mais cedo ou mais tarde. Mas, o prognóstico, para este ano, é parar por aqui. Dependemos do Ministério da Saúde para decidir quando poderemos voltar", observa.

Noroestino que jogou nas categorias de base do clube, ele afirma ter o desejo de retornar ao comando do time, quando os jogos forem retomados. "O meu destino só Deus sabe, mas a gente sempre tem vontade de trabalhar onde se sente bem", acrescenta.

O meia Leandro Oliveira - que já havia retornado à sua cidade de origem, Campo Grande (MS), desde a suspensão dos jogos - diz que permanecerá treinando em casa, com a expectativa de retomada do Campeonato Paulista. Segundo a Federação Paulista de Futebol, o torneio ainda não tem data para retorno, mas será finalizado em campo, seguindo protocolos de segurança para evitar a disseminação do novo coronavírus.

"A gente vive de futebol, mas tem que priorizar a vida. Muitas pessoas estão morrendo. A diretoria explicou que, se realmente o campeonato voltar, os jogadores que tiverem interesse receberão uma nova proposta para finalizar os jogos restantes", detalha ele, que havia sido contratado em novembro do ano passado, em sua terceira passagem pelo Noroeste.

Repórter da rádio 87FM, Jota Martins, noroestino assumido que cobre campeonatos profissionais de futebol há 40 anos, conta que recebeu a notícia com tristeza, mas avalia que o clube foi vítima das circunstâncias de uma pandemia inesperada.

"Não tenho críticas a fazer à diretoria, que vinha trabalhando certo. O time estava fazendo uma excelente campanha, correspondendo às expectativas do torcedor e tinha todas as condições para retornar à Série A2, o que era um objetivo do clube", comenta.

'PERDA GIGANTESCA'

Membro da torcida organizada do Alvirrubro há 35 anos, o diretor da Sangue Rubro, José Roberto Pavanello, revelou que o sentimento é de "grande tristeza" entre os noroestinos, que estavam empolgados com a expectativa de que o clube - até então líder isolado da divisão - ascender à Série A2.

"Os patrocinadores saíram, não tem mais bilheteria, está tudo parado. Seria um erro continuar, mas a gente fica triste. Agora em junho, depois de cinco anos na Série A3, era para a gente estar comemorando nossa subida", lamenta ele, que defende o encerramento do Paulistão de 2020 e a efetivação dos acessos à Série A2 de 2021 para o líder Noroeste e o vice-líder São Bernardo. Este é também o posicionamento da diretoria do Norusca.

Alexandre Zwicker, secretário municipal de Esportes, classificou o fechamento das portas do Noroeste como "uma perda gigantesca" em termos desportivos e de representatividade para o município. Ao JC, ele destacou o bom momento vivido pelo clube no Paulistão e disse, como noroestino, ter esperanças de retorno de uma equipe competitiva ao final da quarentena.

"Infelizmente, o Noroeste passa por um momento financeiro ruim, assim como tem ocorrido, em menor proporção, com times grandes. Mas é um clube centenário, um patrimônio histórico, cultural e desportivo para Bauru", completa.

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