Internacional

Começa o funeral de George Floyd

FolhaPress
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Minnesota - Centenas de pessoas em Minneapolis choraram nesta quinta-feira (4) a morte de George Floyd, durante o funeral dele cuja morte sob custódia policial, tendo o pescoço imobilizado, desencadeou uma onda de protestos em todo o país e um debate sobre raça e justiça, ao mesmo tempo em que o sepultamento foi anunciado para a próxima terça-feira (9), em Houston, no Texas. "Esta é a mesma cidade em que George Floyd cresceu e seu corpo retornará a essa cidade", disse o prefeito de Houston, Sylvester Turner.

Floyd foi morto no dia 25 de maio em Minneapolis, no estado de Minnesota, depois de ter o pescoço prensado contra o chão por quase nove minutos pelo joelho de Derek Chauvin, um policial branco. Outros três agentes ajudaram a segurá-lo na hora da detenção e não fizeram nada para impedir a asfixia. Todos estão presos. Um juiz estabeleceu a fiança de 1 milhão de dólares nesta quinta-feira (4) para esses três policiais. No entanto, Derek Chauvin não teve fiança arbitrada.

PROTESTOS

Após a morte de Floyd as ruas dos Estados Unidos viraram berço de intensos protestos contra a violência policial e o forte racismo existente no país. Mais de 200 cidades dos EUA e de vários países do mundo já aderiram às manifestações. Ontem foi o décimo dia seguido de protestos no País.

"Todo mundo quer justiça, nós queremos justiça para George, ele vai conseguir", disse Philonise Floyd, um dos irmãos de Floyd, no funeral em uma capela na North Central University, na cidade de Minnesota City. "É louco, todas essas pessoas vieram ver meu irmão, é incrível que ele tenha tocado tantos corações", disse Philonise, vestindo um terno escuro e um crachá com uma foto de George e as palavras "Não consigo respirar" na lapela.

ITAMARATY

Telegrama reservado enviado da embaixada do Brasil em Washington na quarta-feira (3) afirma que a "mídia progressista" dos Estados Unidos causa a impressão de que "o país é dominado por onipresente e irremediável 'racismo sistêmico' e amplifica "ad nauseam" incidentes de violência e confrontação de caráter racial".

A comunicação diplomática sobre os protestos desencadeados pelo caso George Floyd, obtida pela reportagem do jornal Folha de S. Paulo, lamenta as "terríveis circunstâncias da morte" do segurança negro e é assinada pelo diplomata Nestor Forster, indicado ao cargo de embaixador em Washington.

O telegrama, no entanto, traz críticas aos protestos, dizendo que "a crise atual é composta por elementos adicionais de uma visão que tende a reduzir todos os problemas sociais dos EUA a questões raciais".

CULTURA DA QUEIXA

Também condena o que chama de "proliferação da 'cultura da queixa', vitimização nas universidades e a retórica política das lideranças do Partido Democrata desde os anos 1960, quando decidiram finalmente abandonar sua tradicional defesa de políticas públicas de segregação racial".

"Essa potente combinação, aqui apenas esboçada, explica em alguma medida a intensidade da reação de movimentos sociais às terríveis circunstâncias da morte de George Floyd."

Segundo o Itamaraty, o telegrama em nenhum momento minimiza a gravidade da morte de Floyd, mas tenta apenas apresentar um contexto que explique a intensidade e a violência dos protestos.

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