Brasília - Após forte reação negativa sobre atrasos e omissões na divulgação de dados da covid-19, o Ministério da Saúde recuou e irá informar dados sobre infectados e mortos às 18h, diariamente, disse nesta segunda-feira, 8, o secretário-executivo da pasta, Elcio Franco. Além disso, o Ministério precisou justificar diferença entre dois boletins divulgados no domingo.
De acordo com a pasta, nas últimas 24 horas, de domingo até 17h de segunda-feira (8) foram confirmados 15.654 novos diagnósticos e 679 óbitos.
Os dados são iguais aos que foram divulgados pelo Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) na tarde desta segunda-feira (08/06). O boletim do Conass foi criado como uma alternativa às mudanças de horário e de metodologia de divulgação implantadas pela pasta desde a última quarta-feira (03/06).
IMPRENSA SE MOBILIZOU
Para contornar a restrição de acesso a dados da pandemia da Covid-19 imposta pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido), os veículos O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo, Extra, G1 e UOL decidiram formar uma parceria e trabalhar de forma colaborativa para buscar as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal.
Em uma iniciativa inédita, equipes de todos os veículos vão dividir tarefas e compartilhar as informações obtidas para que os brasileiros possam saber como está a evolução e o total de óbitos provocados pela covid-19, além dos números consolidados de casos testados e com resultado positivo para o novo coronavírus. O balanço diário será fechado às 20h.
DIFERENÇA
O primeiro levantamento feito por esse consórcio inédito entre veículos de imprensa do qual o UOL faz parte revela, no entanto, que o Brasil registrou 19.631 casos oficiais e 849 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas. São 178 mortes e 3.745 casos a mais do que o divulgado oficialmente pelo Ministério da Saúde.
A pasta, entretanto, segue sem informar o total de casos e mortes desde o início da pandemia. Na contabilidade do Conass são 707.412 casos confirmados da doença e 37.134 vítimas fatais.
A decisão ocorre após, na última semana, o Ministério da Saúde retardar, por quatro dias, para cerca de 22h a apresentação de balanços diários da pandemia, que costumavam sair por volta das 19h. O atraso foi determinação do presidente Jair Bolsonaro.