Equipes da Secretaria Municipal de Saúde realizarão fiscalização surpresa nas casas de pessoas que forem diagnosticadas com sintomas leves da Covid-19 e liberadas para tratamento domiciliar. A informação é do prefeito Clodoaldo Gazzetta, que promete publicar um decreto instituindo e regulamentando a medida em Bauru na próxima semana.
A decisão tem correlação com a ampliação da testagem rápida da população no município nos próximos dias. Nesta terça (9), servidores da Saúde passarão por uma terceira etapa do treinamento para a aplicação dos 15 mil testes antígenos, que ficarão disponíveis em unidades de Saúde para pacientes com sintomas da Covid-19 (leia mais ao lado).
Gazzetta admite que a fiscalização "surpresa" pode parecer rigorosa ou impopular, mas afirma que ela se faz necessária como forma de conter o avanço da doença em Bauru. Ele explica que, hoje, o município faz apenas um cadastro dos doentes, mas não possui controle efetivo em relação à quarentena de quem é diagnosticado com quadro leve da Covid-19 e, obrigatoriamente, deveria passar 14 dias em isolamento total.
O próprio prefeito diz já ter recebido relatos sobre o desrespeito da quarentena por pessoas contaminadas.
"As equipes da Vigilância irão percorrer casa a casa por amostragem, é uma visita surpresa. Se o paciente estiver descumprindo a quarentena, ele será multado administrativamente e ainda poderá responder a um processo por crime contra a saúde pública, se for flagrado na rua", pontua.
DEMAIS MORADORES
Gazzetta acrescenta que o mesmo valerá para os demais moradores da casa. "A punição deve ser por pessoa", detalha o prefeito, explicando que os demais ocupantes da residência de um infectado também devem receber atestado médico da unidade de saúde por 14 dias, independentemente da confirmação de exames nessas pessoas.
O chefe do Executivo municipal antecipa ainda que fechará parceria com o Instituto Lauro de Souza Lima para que, após a primeira confirmação, os conviventes do infectado passem por exame sorológico. "É ruim chegarmos a essa situação, mas temos que ter a consciência de que a pessoa com o vírus ou quem mora com ela não pode ficar circulando. Não se trata de segregação de ninguém ou um ato violento ou radical da prefeitura. Agiremos pela preservação da vida e precisamos controlar a doença para ela não se espalhar de forma rápida", cita Gazzetta.
Apenas situações consideradas emergenciais devem ser relevadas. "Claro que, se a pessoa precisar de um hospital ou de uma farmácia, isso será levado em consideração. Já para compras, essas pessoas precisam apostar no delivery, ou ter alguém que faça isso por elas", completa chefe do Executivo.