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População bauruense irá gastar R$ 720 milhões a menos neste ano

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Com a pandemia do novo coronavírus, o consumo das famílias de Bauru ficará comprometido ao longo de 2020, com projeção de redução de gastos na comparação com o ano passado. Segundo a pesquisa IPC Maps, que traçou o mapa do consumo dos municípios brasileiros para este ano, a população bauruense gastará R$ 720 milhões a menos do que 2019 em produtos e serviços.

Até o final de 2020, a projeção é de que os moradores desembolsem R$ 10,562 bilhões, mesmo patamar registrado em 2018 e valor 6,4% menor dos R$ 11,282 bilhões contabilizados em 2019. No estudo, elaborado pela empresa especializada em informações de mercado IPC Marketing, Bauru aparece como a 17.ª cidade com maior poder de consumo no Estado (antes, era 16.ª) e a 56.ª no Brasil (anteriormente, era 54.ª).

Na última década, o único recuo de potencial de consumo havia sido registrado em 2016, quando a queda na comparação com o ano anterior foi de 6,9%. Responsável pelo estudo, Marcos Pazzini aponta que o resultado negativo em 2020 também foi verificado em âmbito nacional, onde a perda média foi de 5,39%.

HABITAÇÃO

No levantamento, que cruza dados do Produto Interno Bruto (PIB), população e renda das famílias, foram analisadas as principais categorias de produtos, que incluem alimentos, artigos de limpeza, mobiliários e vestuário, além de despesas com transporte, saúde, educação, recreação e habitação. Em Bauru, este último item, que incorpora despesas com aluguel, luz, água, gás, telefone, Internet, TV a cabo e pequenos reparos domésticos, deve ser o que mais irá corroer a renda do bauruense em 2020 - a expectativa é de que o montante chegue a R$ 2,921 bilhões.

Na sequência, aparece alimentação dentro e fora de casa (R$ 1,284 bilhão) e, em terceiro lugar, gastos com veículo próprio, que incluem também custos com manutenção e combustível (R$ 1,172 bilhão). "Tem havido muita aquisição de veículos como motos e motonetas. Há também o fato de muitas pessoas terem começado a trabalhar como Uber e 99 depois de ficarem desempregadas, mas não se trata necessariamente da compra de automóveis zero quilômetro", analisa Pazzini.

ALIMENTAÇÃO

O potencial de consumo projetado neste segmento, inclusive, mais que dobrou de um ano para outro (alta de 113,4%). Já o item alimentação teve decréscimo de 33,5% e o de habitação, de 3,2%. "No setor de alimentação, o consumidor tem acesso a uma grande variedade de marcas e, neste cenário que estamos vivendo, ele pode começar a optar pelas que tiverem preços menores", observa. Também foram registradas quedas para o consumo de eletroeletrônicos (43,6%), vestuário (34,6%), calçados (37,9%) e bebidas (21,4%), apenas para citar alguns dos principais segmentos impactados.

Ainda de acordo com o IPC Maps, a classe B deverá ser responsável por quase metade (46,1%) do que os moradores irão desembolsar no varejo bauruense até o final do ano. Segundo Pazzini, isso ocorre porque este segmento populacional conta, ao mesmo tempo, com renda relativamente elevada e considerável número de habitantes - o equivalente a 28,5% do total de moradores da cidade.

Por outro lado, a perda de renda do bauruense fica evidenciada pelo ingresso de 1,9 mil famílias na classe C neste ano, resultado direto da redução de orçamento de parte dos que pertenciam às classes A e B. Ainda assim, mesmo com este aumento, a classe média perdeu 32% do seu potencial de consumo em 2020.

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