Brasília - A safra brasileira de grãos de 2020 será ligeiramente menor do que o esperado inicialmente, atingindo 245,9 milhões de toneladas, mostra a estimativa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem. Ainda assim, o campo baterá todos os recordes de produção, ajudando a agropecuária a dar contribuição positiva para a economia este ano, mesmo em meio à recessão provocada pela covid-19. No caso da produção de grãos, a seca no Rio Grande do Sul, e não a pandemia, foi a responsável pela frustração das expectativas iniciais.
A supersafra será puxada pela soja, principal produto da agricultura brasileira, como já era esperado desde os primeiros prognósticos para 2020. Com produção em torno de 120 milhões de toneladas, o Brasil disputará este ano, com os Estados Unidos, o posto de maior produtor global de soja. Só que a estimativa para a safra de soja veio sendo reduzida nos últimos meses, por causa da seca no Sul.
ALTA DE 5,2%
Pelo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de maio, divulgado pelo IBGE, a produção da soja deverá somar 119,4 milhões de toneladas este ano, alta de 5,2% ante 2019. A estimativa de maio ficou 1,4% abaixo da feita em abril, mas, mesmo com a correção para baixo, a safra de soja deverá superar o recorde anterior, de 2018.
Segundo Carlos Antônio Barradas, analista de agropecuária do IBGE, os problemas causados pela "seca muito grande" no Rio Grande do Sul já estavam no radar, mas "os dados de maio aprofundaram o resultado". "Não fosse o veranico no Sul, o Brasil colheria mais de 250 milhões de toneladas", afirmou Barradas.
Ainda assim, o recorde na soja será garantido pelo desempenho de Mato Grosso, maior produtor nacional do grão.
PIB
Os dados ajudam a explicar por que a agropecuária passará ao largo da recessão - no primeiro trimestre, já foi o único componente do Produto Interno Bruto (PIB), pela ótica da oferta, a registrar crescimento. Para o ano como um todo, as projeções mais recentes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontam para uma alta de 2,0% no PIB da agropecuária, contra tombos de 7,3% na indústria e de 5,8% nos serviços.