Em Bauru, o número de denúncias de estelionato cresceu cerca de 20% durante a pandemia. O aumento, segundo estimativa da Polícia Civil, foi registrado em abril e maio deste ano em relação ao primeiro trimestre de 2020. Nestes dois últimos meses, em média, foram 300 boletins de ocorrência (BOs) dessa modalidade criminosa.
As vítimas descrevem os mais variados tipos de golpes, que podem ocorrer pessoalmente, por ligação telefônica ou online. De acordo com o delegado coordenador do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru, Eduardo Herrera dos Santos, esse aumento pode estar diretamente relacionado ao fato de as pessoas estarem passando mais tempo em casa e, consequentemente, na Internet.
"Neste momento atual, os estelionatários aproveitam para oferecer benefícios", avalia. Para o delegado, o estelionatário não tem perfil de violência física, mas sim de violência moral. Por isso, na maioria dos casos, ele busca atrair a vítima oferecendo vantagem ao adquirir um produto, geralmente com preços abaixo do mercado ou facilidade no pagamento. Atualmente, ainda de acordo com Herrera, os registros mais comuns são os golpes do cartão de crédito e do WhatsApp clonados, dos boletos bancários e sites de vendas falsos e do intermediador de vendas.
O ideal é sempre acionar a polícia assim que o estelionato for constatado."E, antecipadamente a isso, tomar as providências para minimizar o prejuízo, como bloquear o cartão que está sendo usado ou ir até a agência bancária em que o boleto foi pago ou em que foi realizada a transferência", orienta.
Dentre os vários tipos de golpes que têm sido frequentes neste período está, também, o golpe do leilão. Em maio deste ano, o JC noticiou sobre um homem de 55 anos que perdeu R$ 51 mil ao tentar comprar um caminhão anunciado em um site falso de leilões, do qual o endereço era de Bauru. Segundo o BO, a vítima, que é de Chapecó, em Santa Catarina, depositou o valor na conta bancária do suposto criminoso, e veio até a cidade para buscar o veículo. Porém, o endereço divulgado no site era de um barracão disponível para locação. Neste momento, o homem percebeu que havia caído em um golpe e procurou a Polícia Civil.
O caso está sendo investigado.Depois da publicação deste caso, outros da mesma natureza, inclusive na região, chegaram ao conhecimento da reportagem. Herrera informa, inclusive, que, muitas vezes, os estelionatários utilizam nome de leiloeiros sérios, também vítimas dos praticantes do delito.