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Drama alvirrubro

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

Após a paralisação da Série A3 do Campeonato Paulista, ainda sem previsão de retorno, o Noroeste anunciou que ficará parado até o final do ano. Sem dinheiro para manter a estrutura do clube, a decisão foi a única alternativa encontrada pelos dirigentes. O presidente Rodrigo Gomes, o Mosca, afirma que as receitas acabaram, pois nenhum patrocinador continuou depois da paralisação do campeonato.

O clube tenta encontrar maneiras de rescindir os contratos e se estruturar para o retorno. O Noroeste defende o encerramento da Série A3, mas a Federação Paulista de Futebol (FPF) diz que pretende terminar o campeonato em campo - ainda sem nenhuma previsão de quando isso será possível.

RESCISÕES

De acordo com Mosca, o Noroeste está buscando meios de pagar as rescisões - ele não revela os valores. Os contratos de todos os jogadores acabaram em maio, enquanto a comissão técnica e outros 12 funcionários foram dispensados. Ao todo, foram 51 dispensas. Apenas três serão mantidos, sendo dois vigias e um para manutenção do campo e demais áreas.

O atraso nos salários é de dois meses. "Até a paralisação do campeonato, estávamos pagando tudo em dia. Em março, recebemos a última cota da federação, foram pagas três de cinco parcelas. A partir do momento em que a competição parou, nossas receitas acabaram, pois todos os patrocinadores tiveram que suspender os pagamentos, pois também atravessam esse período difícil, além disso ficamos sem a renda dos jogos e sem a cota da federação. Nossa receita caiu 95%. A única arrecadação que temos hoje é a do aluguel do estacionamento para funcionários dos Correios. Mais nada", afirmou.

ELENCO

O presidente afirma que o Noroeste, em momento algum, desistiu da Série A3. "Apenas comunicamos que estamos desmobilizando a estrutura, não tem como pagar jogadores e funcionários. Mas não desistimos da A3. Ainda não há nenhuma perspectiva de quando o campeonato vai voltar, e se vai voltar. Outros clubes estão com a mesma dificuldade e não devem segurar a situação por muito mais tempo. Agora, se houver um retorno da A3, não houve desistência, nenhum documento foi mandado para a federação", afirma.

Sobre o elenco, alguns jogadores já possuem propostas de outros clubes, assim com o técnico Luiz Carlos Martins, que tem mercado nas Série D, C e B do Brasileiro. "Se tivermos que voltar ainda neste ano, muito dificilmente contaremos com o Martins, ele é um treinador com muito mercado. Agora com relação ao elenco, tentaríamos contar com metade, talvez 60% do elenco que estava com a gente. Mas serão novos contratos", lembra.

DÍVIDAS

O Noroeste tem uma dívida estimada em R$ 2 milhões com a Justiça do Trabalho, e mais R$ 2 milhões com a prefeitura. Ainda são mais R$ 5 milhões com a União, valor que o clube contesta. No caso das dívidas trabalhistas, o ginásio Panela de Pressão pode ir a leilão novamente em agosto - a primeira tentativa, no ano passado, não atraiu interessados. Avaliado em R$ 5 milhões, o ginásio pode acabar arrematado por apenas R$ 2 milhões, 40% do valor. "Entendemos que precisaria ser um valor justo", cita.

Outra pendência do Alvirrubro é com a conta de energia. Das três ligações da sede noroestina, duas estão cortadas. Porém, como não há entrada de receitas, o clube também ainda não sabe quando poderá pagar. Nos últimos anos, o Noroeste também chegou a discutir com a prefeitura a possibilidade de passar a área do clube para o município, reduzindo despesas com IPTU, manutenção, água e energia. Porém, o assunto não deve voltar, pois o governo municipal teve redução de receita com a crise e o aluguel do ginásio Panela de Pressão, que durou oito anos com o município, gerou uma ação de improbidade administrativa na Justiça.

 

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