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É tempo de reciclar

Estadão Conteúdo
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Você tem a impressão de que seu lixo aumentou no período de isolamento social? Não é bem assim. "Quando a gente está fora de casa, comemos, consumimos e deixamos na cidade um lixo que a gente não vê. Portanto, não contabilizamos como sendo nossa produção. Durante a quarentena, houve uma transposição desse lixo para dentro de casa", explica Cristal Muniz, autora do livro Uma Vida Sem Lixo.

A coleta de materiais recicláveis no País aumentou entre 25% e 30% em abril, de acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). "Esse crescimento mostra que houve alteração no perfil dos resíduos gerados, com menos orgânicos e mais embalagens, consequência do aumento do mercado online para alimentação ou itens em geral", avalia Carlos Silva Filho, diretor-presidente da entidade.

É o caso da engenheira civil Sofia Junqueira, que passou a morar sozinha durante a pandemia. Ela admite "viver a base de delivery". "Compro almoço, janta e faço mercado online". Um consumo que aumenta - e muito - a produção de lixo. Eles mandam papelão, isopor, plástico. O papel para limpar a mão, por exemplo, vem enrolado no plástico. É muito mais lixo do que precisa."

"Estamos atravessando um momento ímpar, onde podemos observar a quantidade de resíduos que geramos em nosso dia a dia. A partir desta reflexão, podemos aproveitar para discutir e conscientizar a população para onde vai todo este lixo e qual o impacto ambiental resultado do descarte inadequado", reflete Rafael Zarvos, especialista em gestão de lixo doméstico e fundador da Oceano - Gestão de Resíduos. Não sabe por onde começar? Nós ajudamos. Mas antes, vai uma dica: se seu condomínio não tem coleta seletiva ou você mora em casa, confira no site da Prefeitura os horários da coleta seletivas.

Um passo além

Caso você já faça a reciclagem dos seus materiais, mas mesmo assim quer dar um passo além para ajudar o planeta, é hora de tentar reduzir sua produção de lixo (e até fazer uma composteira em casa; aprenda em: bit.ly/facacomposteira).

"Precisa sim separar o resíduo para a reciclagem, mas o que precisamos mesmo fazer é parar de produzir tanto lixo", explica Cristal, que está desde 2015 sem produzir lixo. O primeiro "R", dos cinco "erres" da sustentabilidade é repensar. Seguido de recusar, reduzir, reutilizar e reciclar. Mostrando que diminuir a produção de lixo é prioridade.

Durante esse tempo dentro de casa, é possível experimentar coisas novas. Troque o saco plástico do lixo do banheiro por jornal ou, quem sabe, tente fazer um desodorante caseiro - e veja se esses são caminhos viáveis. "São receitas fáceis de fazer, que não têm nada de avançado", diz Cristal. Outras opções são substituir os guardanapos de papel pelos de pano e copos plásticos pelos de vidro. No lugar dos absorventes tradicionais, prefira os coletores (se você não sabe do que se trata, o perfil no Instagram @papodecopinho tira dúvidas).

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