A história de nosso país é permeada por uma instabilidade política quase que contínua. A flacidez das instituições permite que governos sejam extirpados quando em choque com interesses de alguns grupos.
Foi assim em 1889, 1930, 1954, 1964 e por último em 1992. Outros caem por criarem rusgas entre os poderes. A ausência de equilíbrio entre essas esferas é que nos causa toda essa problemática.
A agressão por parte do Poder Executivo em relação ao Poder Judiciário, a que podemos assistir recentemente, começa a mostrar-nos um trajeto perigoso. Onde o bem maior, a Democracia, é achincalhada diuturnamente. Mas, também vemos o Judiciário assumir a tarefa maior do Legislativo.
De um lado temos o presidente que, de forma escusa, parece estar negociando com o Congresso, e do outro seus algozes, a mídia e parte da população embebida em ódio, irão entrar em choque direto a qualquer momento. No meio dessa pantomima toda está uma crise social e econômica, e nenhum dos grupos parece querer resolvê-las e mostrar seus reais interesses por trás do quadro, muito embora podemos depreendê-los. E ao fim dessa queda de braços, quem sofrerá mais uma vez será a Democracia.
Um presidente que não quer fazer política (no bom sentido da palavra), um Congresso imerso na letargia, o Judiciário tomando espaço vago desse mesmo Congresso e a mídia vasculhando as vísceras do Executivo, estão, todos, prenunciando um quadro de açoite ao sistema Democrático, mostrando que a nossa fragilidade política é quase que intrínseca nesse sistema antiquado que aí está.
Enquanto não houver reforma do sistema político, sempre, dia cedo ou mais tarde, a Democracia estará permanentemente na corda bamba.