Esportes

Paciência e adaptação


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Neste mês, a bola vai voltar a rolar nos campos do futebol brasileiro e o desafio será entender e aceitar que máscaras, álcool em gel e luvas (além das de goleiro) serão tão corriqueiros quanto os gols, a bola e os árbitros. Afinal, estamos muito distantes de afastar o novo coronavírus do País. A dúvida é saber se estamos preparados e como será o "novo futebol" que deve se perpetuar por um longo tempo, talvez anos.

A reportagem ouviu médicos e psicólogo do esporte para entender o que será do futebol daqui em diante. Dois pontos foram unânimes: a necessidade de uma reorganização para a realização de jogos com torcedores e também o fato de ser preciso ter muita paciência para a volta ao que era "antigamente".

Assim como se faz necessário em nosso dia a dia, usar máscara se tornará algo comum no esporte, apesar das restrições durante os jogos. "A retomada deve ser lenta e graduada. Treinos com grupos menores e o ideal seria que os atletas usassem máscara até mesmo durante os jogos, mas sabemos que isso é muito difícil", disse o infectologista Jean Gorinchteyn, que trabalha no hospital Emílio Ribas e no hospital Albert Einstein, ambos em São Paulo.

Porém, durante os jogos, será inevitável o contato. Eliseu Alves Waldman, epidemiologista e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, destaca a importância de os clubes saberem quais atletas já foram contaminados. Embora não exista 100% de certeza de que estão imunes, quem já contraiu a Covid-19 possui anticorpos contra a doença, pelo menos por enquanto. "A primeira coisa para voltar o futebol é conhecer a situação da equipe. Quem está imune e quem deverá ser monitorado constantemente. Mas isso tem custos", destacou.

Os desencontros de informações e até as "fake news" são pontos que ajudam a criar a preocupação e o clima de terror entre os jogadores. "Enquanto não tiver uma organização, o futebol vai abrir um leque de incertezas em todos os envolvidos. É preciso uma normativa para auxiliar e preparar atletas e clubes para a volta", alertou Luiz Eduardo D'Almeida Manfrinati, psicólogo do Sindicato dos Atletas de São Paulo, que vem atendendo casos de ansiedade.

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