Geral

Ação visa acolher moradores de rua em razão da Covid e gera polêmica

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A Empresa Municipal de Desenvolvimento Rural e Urbano de Bauru (Emdurb) e a Secretaria do Bem Estar Social (Sebes) iniciaram, nesta semana, uma ação que contará com abordagens intensificadas à população em situação de rua. O objetivo, segundo a empresa pública e a pasta municipal, é encaminhar estas pessoas a serviços de acolhimento e evitar que elas permaneçam expostas à infecção pela Covid-19.

Na abordagem realizada nesta terça-feira (16), a Emdurb utilizou um caminhão de pequeno porte para recolher, conforme informou a empresa, materiais inservíveis da praça do Terminal Rodoviário, onde vivem atualmente cerca de 20 moradores de rua. Ao JC, contudo, eles afirmam que muitos pertences de pessoas que não estavam no local também foram levados.

"Como tem muita gente que acorda cedo, vai para o sinal e só volta à tarde, muita coisa de quem não estava aqui foi levada embora. Agora, tem gente que ficou sem manta, sem colchão, sem roupa, sem nada. A verdade é que só querem que a gente saia daqui", alega Maylon Vario Costa, 29 anos, que foi destacado como porta-voz do grupo para conversar com a reportagem.

NÃO PROCEDE

Gerente de manutenção e modais da Emdurb, Rodrigo Corral diz que a informação não procede. De acordo com ele, foram os próprios moradores que separaram os materiais inservíveis e decidiram o que poderia ou não ser levado da praça.

"Não houve qualquer momento de estresse, briga, coação. Foi uma ação tranquila. Explicamos a importância de manter o local limpo e eles entregaram o que não estava sendo usado, além de cobertores que estavam sujos de comida, urina, alguns com bigato", descreve, acrescentando que todo o material seria encaminhado ao aterro sanitário de Piratininga.

Os moradores também reclamaram que a Emdurb trancou o banheiro da Rodoviária e retirou o bebedouro, com a intenção de que eles fossem impedidos de utilizar estes equipamentos do terminal. Corral, contudo, argumenta que as medidas foram adotadas para evitar a disseminação do novo coronavírus. "O banheiro está com acesso restrito para evitar aglomerações, mas qualquer pessoa pode pedir a chave no setor de guarda volumes e usar", diz.

RISCO DE CONTÁGIO

Simone Escoura de Souza, diretora da divisão de proteção social especial da Sebes, acrescenta que a pasta ofereceu acolhimento em casas de passagem a todos os moradores. Cinco teriam aceitado a oferta na noite de segunda-feira e outros dois foram encaminhados, junto com um cachorro, nesta terça-feira. "Devido à pandemia, a Sebes ampliou o número de vagas. Já tínhamos 100 e, agora, são mais 35. Somente nestas novas vagas, já temos 26 pessoas acolhidas", pontua.

Diferentemente do que ocorria até então, ela informa que, agora, não há limite de tempo de permanência nestes locais, já que há preocupação quanto ao risco destas pessoas se infectarem ou transmitirem o vírus para outras. "Já tivemos um caso que precisou de internação no Hospital Estadual, inclusive. Além disso, percebemos um maior adoecimento desta população nestes pontos de aglomeração, pessoas com tuberculose, pneumonia", descreve.

Simone adianta que, caso as vagas nas casas de passagem forem esgotadas, serão disponibilizados boxes para acolhimento no Ginásio Darcy Cesar Improta, que fica próximo à Unesp. Há, contudo, resistência dos moradores, já que o local fica afastado do centro da cidade.

Comentários

Comentários