Pederneiras - O "sumiço" de um crucifixo que, há anos, decorava o plenário da Câmara de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) está gerando polêmica na cidade. Muitos moradores, e até representantes da Igreja Católica, usaram as redes sociais para cobrar explicações do Legislativo. Em nota, a Casa informou que o objeto foi transferido para uma sala após reforma do prédio e justificou a medida alegando que o Estado é laico.
O crucifixo foi doado à Câmara em abril de 1997 e, desde 2009, quando o prédio onde funcionava o antigo colégio das Irmãs Passionistas foi vendido para o Executivo e o Legislativo, ele permanecia na parede dos fundos do plenário. Há alguns dias, o crucifixo desapareceu do local, fato que gerou questionamentos por parte da população.
Na sessão de segunda-feira (15), o vereador Chapéu cobrou explicações na tribuna do presidente da Casa, Danilo Alborghetti. Na ocasião, Alborghetti disse que, "seguindo orientações", pediu para retirar o símbolo católico da parede do plenário durante a reforma do prédio e anunciou que fará o mesmo com outro que fica na parede externa.
A decisão do presidente foi bastante criticada nas redes sociais. "Tem outras formas de mostrar respeito pelas crenças sem esse desapego e desrespeito pela história da cidade", postou um morador. "O Estado é laico, mas ficou claro que só foi retirado por ser um símbolo da igreja católica. Intolerância religiosa?", disse um outro munícipe.
Representantes das Paróquias São Judas Tadeu e São Sebastião de Pederneiras também se manifestaram. "Este é o reconhecimento da Câmara dos Vereadores de Pederneiras à história do nosso povo e a quem ajudou a construir esta cidade. E eles, o que têm feito?", questionou a Paróquia São Judas Tadeu em sua página no Facebook.
NOTA OFICIAL
Em nota, a Câmara de Pederneiras conta que, há alguns meses, em razão da posse de servidores aprovados em concurso, construiu salas operacionais ao fundo do plenário, avançando novas paredes de madeira, e transferiu o crucifixo para a sala de assessoria de imprensa, do lado oposto de onde ele estava. "Portanto, o crucifixo está na Câmara Municipal, à disposição de todos os munícipes que ainda não acessaram o local", declara.
A Casa diz que não foi procurada por pessoas ou instituições interessadas em saber sobre a situação. "Existe um outro crucifixo na fachada externa do prédio, esse em aço. Com o passar do tempo, se deteriorou com a ferrugem. Em manutenção realizada recentemente na fachada do prédio, constatou-se que o crucifixo corre risco de queda, podendo causar uma tragédia. Por isso, ele deverá ser retirado para devida manutenção", explica.
O presidente afirmou, também em nota, que "o Estado é laico e deve tratar todos os cidadãos igualmente, independentemente de sua escolha religiosa". "O Estado também deve garantir e proteger a liberdade religiosa de cada cidadão, evitando que grupos religiosos exerçam interferência em questões políticas", diz. "A história está preservada. Mas pessoas deturparam os fatos e se aproveitaram da ocasião para transformar em ato político, infelizmente".