A movimentação intensa de consumidores nas primeiras semanas de reabertura do comércio da região central garantiu "fôlego" para o difícil momento vivido pelos estabelecimentos, especialmente os menor porte. Estes 20 dias de retomada, completados neste sábado (20), ainda não foram capazes de neutralizar todos os prejuízos acumulados em 70 dias de quarentena, mas foram essenciais para que muitas lojas não precisassem fechar, definitivamente, suas portas.
A avaliação é da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru. Segundo o consultor jurídico da entidade, Elion Pontechelle Junior, apesar de terem custos fixos menores na comparação com grandes redes de magazine e lojas de departamento, os pequenos comércios também possuem menor capacidade financeira para sobreviver por um longo período sem a entrada de receitas.
"Não só a região central, mas também o comércio nos bairros foi bastante movimentado, principalmente nas duas primeiras semanas. As empresas não recuperaram o que perderam, mas voltaram a faturar. Assim, podem cumprir seus compromissos financeiros, até por saberem que as vendas, por mais que não ocorram com a mesma intensidade, continuarão a acontecer", analisa Pontechelle Junior.
EMPOLGAÇÃO
Gerente de uma loja de maquiagem e acessórios, Eva Marta de Figueiredo reforça a análise do consultor jurídico, salientando que seu estabelecimento registrou grande volume de vendas nas duas primeiras semanas de retomada das atividades. "O pessoal ficou muito tempo em casa, queria passear e aproveitou o pagamento de salário ou aposentadoria para gastar. Vendemos muita maquiagem, tanto para uso pessoal quanto para maquiadoras profissionais que estavam empolgadas para voltar ao trabalho", detalha.
A comemoração não se repetiu nas grandes lojas, segundo Pontechelle Junior. Ele explica que elas seguem arcando com os mesmos custos de operação de antes, que são elevados, sem a garantia de vendas que alcancem os resultados de antes da pandemia.
Vale destacar que o funcionamento de todos os estabelecimentos comerciais ficou limitado a seis horas por dia, com fechamento aos sábados desde esta última semana, devido ao recuo da região de Bauru para a fase laranja dentro do plano de flexibilização. Já o limite de clientes passou de 40% para 20% da capacidade máxima de cada loja.
"Além disso, existem exigências sanitárias. Então, a higienização destas lojas grandes é demorada. Funcionários precisam chegar antes para deixar tudo pronto, o que faz com que estas empresas sequer consigam eliminar um dos turnos de trabalho", detalha o consultor jurídico.
GRANDES LOJAS
Ainda de acordo com ele, as grandes redes mantiveram ao menos 80% de seu quadro de funcionários e, apesar de não registrarem lucro satisfatório, permanecem abertas para não perder clientes. "A concorrência é grande e, além disso, elas têm um nome a zelar. Para elas, ao contrário das empresas menores, não é uma grande vantagem abrir com todas as restrições que ainda vigoram", observa.
Apesar desta desvantagem, estas lojas maiores dificilmente fecharão as portas. O impacto maior da quarentena, frisa Pontechelle Junior, acaba recaindo mesmo sobre os donos de estabelecimentos menores. De acordo com ele, desde o início da pandemia, sete lojas - das cerca de 1 mil associadas da CDL - encerraram suas atividades em Bauru. Elas atuavam em segmentos variados, como venda de móveis, calçados, cosméticos e confecções.