No último domingo, nesta tribuna, foi publicado um "contra manifesto", se assim podemos chamar, assinado pelo presidente e pelo secretário de formação política do PT, na região de Bauru. Sobre o qual gostaríamos de tecer algumas considerações. Primeiramente creio que a referida publicação, por ser de exclusivo interesse do PT e de seus hoje pouquíssimos adeptos, deveria ser publicada em algum panfleto ou boletim interno ou grupo de WhatsApp. No entanto, o JC dentro de seu espírito pluralista e democrático e mesmo considerando o longo texto, acima dos limites da coluna, achou por bem publicar integralmente.
A imprensa publica que a cota partidária do PT (maior entre os partidos políticos) é superior a duzentos milhões de reais. Será que não dá para, como qualquer partido ou entidade do município, comprar espaço comercial para publicar sua carta? Já que não existe nela interesse público, se não seria publicada como reportagem, o que atesta a inexistência também de interesse do leitor. Além disto, passando, assim dizendo, ao mérito da questão: dizem os autores que Lula não participou deste manifesto porque "ele não cita direitos suprimidos dos trabalhadores".
Segundo Lula, "desde o golpe contra Dilma forças conservadoras se aglutinaram em torno da operação Lava Jacto e o juiz Sérgio Moro, para impedir sua vitória (Lula) em 2018". Lula e o petismo sempre comprovam o ditado de que o "uso do cachimbo entorta a boca". Novamente não fazem mea culpa, voltam o disco aos primórdios do PT e acham que as pessoas ainda acreditam nesta "história da carochinha". Depois de centenas de denúncias, provas e bilhões recuperados, e condenações de quase toda a cúpula política do PT e seus aliados. Pelo contrário, acusam a operação Lava Jacto e Moro e não a corrupção endêmica na Petrobras, Banco do Brasil, BNDES, de petistas e seus aliados e bilhões de dólares descobertos pela operação. Além do desgoverno Dilma, de terem prejudicado o país e os trabalhadores, com consequências na economia até hoje.
Não assumem sequer uma parcela de seus muitíssimos erros e novamente seguem sectários à direita democrática, ao centro e mesmo a outros partidos de esquerda. Não se importam se as liberdades democráticas forem suprimidas. Apostam isto sim no quanto pior, melhor. Os petistas locais ainda apoiam este ex-rei, que hoje se mostra nu diante de todos, suas falas já conhecidas não empolgam na sua "conversa mole". E seu curto tempo fora das grades deveria ser melhor aproveitado. Com mais grandeza, fora da política rasteira que sempre realizou. Deveria neste momento grave pensar nos menos favorecidos.
Por um momento pensar no Brasil, nas classes trabalhadoras tão citadas e esquecidas pelo seu partido, ironicamente chamado "dos trabalhadores".