As promessas são tentadoras: "novo chá com um composto de hortelã, limão, laranja, gengibre e canela para reforçar a imunidade". Ou ainda "lançamento de um suplemento alimentar em pó que funciona como um shot de reforço na saúde." No momento em que o grande medo é ter o corpo invadido por um vírus com o qual ainda pouco sabemos lidar, qualquer esperança de proteção extra soa como o pote de ouro no fim do arco-íris. Mas, afinal, o que é imunidade e o que realmente há de eficaz nessas tantas receitas?
Segundo o imunologista Jorge Pinto, professor titular da Faculdade de Medicina da UFMG, imunidade é a forma como o corpo reage ao reconhecer aquilo que é próprio do ser humano e o que não é. No entanto, o termo "imunidade" tem sido mal empregado, seja por ignorância, desespero ou má-fé. "Aquilo que se conhece pouco está sujeito a interpretações erradas", explica Jorge Pinto.
Os especialistas são unânimes em afirmar: imunidade não se aumenta, ainda mais quando se trata de indivíduos que não têm nenhuma doença no sistema imunológico. Em vez de "aumentá-la", dizem os médicos, devemos pensar em "preservá-la". A manutenção desse trabalho passa, além de boas horas de sono, principalmente pela alimentação saudável a longo prazo. O que nos leva a pensar em duas questões: tanto aquela bebida milagrosa quanto uma estadia de sete dias num spa não terão o efeito esperado - tudo isso vai ser menos benéfico do que diz a propaganda. "A nutrição é um elemento primordial, no sentido de evitar déficit ou erros alimentares. Subnutridos ou obesos, ambos têm alterações no sistema imunológico", diz Jorge Pinto.