Na semana em que Bauru recebia sua primeira remessa de respiradores para a Covid-19, outra situação já preocupava o Hospital Estadual (HE): a dificuldade na compra de sedativos e curarizantes. Essenciais no processo de intubação de pacientes graves, as medicações estão com estoque baixo no HE. Como medida preventiva para garantir a assistência a casos de coronavírus, o hospital voltou a suspender as cirurgias eletivas nos últimos dias, conforme o JC apurou. O Estado não nega a dificuldade e diz que intensificou o monitoramento dos estoques, principalmente nas unidades que estão à frente do combate à pandemia.
Além dos sedativos, que são fundamentais para intubação, os curarizantes são usados em alguns pacientes que, mesmo sedados, apresentam reflexo de tosse. Eles agem como bloqueadores neuromusculares. No caso da Covid, são responsáveis por reduzir a chance de aerossóis serem expelidos pelo paciente e contaminarem a equipe médica.
Tais medicações são vitais ainda durante a internação de pessoas intubadas, especialmente para propiciar conforto com o uso de respiradores.
PRECAUÇÃO
Nos últimos dias, o baixo estoque de sedativos e curarizantes provocou uma espécie de racionamento no HE, que culminou com a suspensão das cirurgias eletivas, já que essas medicações também são utilizadas em ambiente cirúrgico.
Com a suspensão, o HE busca se prevenir contra a falta da medicação para manter pacientes sedados nas UTIs. Tal precaução considera a rapidez com que a Covid-19 se agrava e também no alto tempo de intubação (em média 14 dias) que a doença propicia em casos graves.
Entre março e abril, o HE já havia suspendido parte de suas cirurgias eletivas a fim de propiciar o esvaziamento do hospital para atender o coronavírus. A diretoria da unidade, no entanto, tentava manter um calendário de cirurgias, de acordo com a disponibilidade de leitos, para reduzir os impactos em outras áreas.
DIFICULDADE É GERAL
Conforme o JC noticiou no início de junho, o desfalque de sedativos também já afetou a Santa Casa de Jaú, que relatou publicamente a falta de anestésicos e relaxantes musculares por conta do contexto de pandemia. Outras cidades do Brasil também sentiram o problema.
A Secretaria de Estado da Saúde reconhece que há dificuldade geral de compra e disse que intensificou o monitoramento dos estoques nos hospitais. Em coletiva de imprensa, nesta terça (23), o secretário de Saúde, José Henrique Germann, afirmou que o governo federal realizou uma compra unificada e que doses serão remetidas ao Estado.
A Coordenadoria de Assistência Farmacêutica do Estado também fez uma força-tarefa e adquiriu mais de 6 milhões de remédios do tipo. "A pasta seguirá empenhada para que as unidades mantenham todos os medicamentos e materiais necessários para atendimento à população", diz, em nota, a Secretaria de Saúde do Estado.
REDE MUNICIPAL
O prefeito Clodoaldo Gazzetta diz que a Secretaria Municipal de Saúde também notou dificuldade na compra dos sedativos. Para evitar o desabastecimento, ele diz ter autorizado a compra de medicamentos similares, que tinham o preço um pouco mais acima, mas que garantiram a reposição do estoque.
Na esfera municipal, essas medicações são usadas em UPAs, no PS Central e no Posto Avançado Covid-19.