O Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/USP), o Centrinho, completa, nesta quarta-feira (24), 53 anos de atividades. A data é marcada por questões como o projeto-piloto de testagem para Covid-19, os 30 anos do Programa de Implante Coclear e a expectativa da abertura do Hospital das Clínicas (HC).
Para Carlos Ferreira dos Santos, superintendente do HRAC/USP e diretor da FOB/USP, esse é um importante momento para agradecer. "Além de todos aqueles que nos antecederam e que têm seu DNA marcado nessa trajetória de sucesso - em especial o professor José Alberto de Souza Freitas, o Tio Gastão [um dos fundadores e ex-superintendente do hospital] -, é preciso agradecer aos servidores, docentes e alunos que ajudam a aperfeiçoar a excelência de nossa instituição. Temos uma equipe comprometida para oferecer o melhor tratamento e inovações", afirma.
PROTOCOLO E TESTAGEM
Apesar da suspensão das cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais, o HRAC/USP mantém-se ativo durante a pandemia. Foram mantidas equipes para urgências e também os leitos de UTI. Houve manutenção das atividades acadêmicas a distância. Destacam-se, ainda, colaboração visando a abertura do HC, disponibilização de 3 mil máscaras cirúrgicas e doação de câmara fria para a Secretaria Municipal de Saúde.
Ainda não há data definida para o retorno efetivo das atividades presenciais, mas está em desenvolvimento um protocolo de biossegurança para uma retomada gradual e segura. "O protocolo considerará os tipos de atendimento, atividades e EPIs necessários, preservando a saúde da nossa comunidade", assinala Santos.
Outra medida que será adotada é a testagem para Covid-19 por RT-PCR, no Laboratório de Farmacologia da FOB. "Estamos na segunda semana do projeto-piloto. A expectativa é testarmos os profissionais e pacientes do HRAC, com insumos adquiridos com recursos do hospital", explica.
IMPLANTE COCLEAR
Outro marco importante são os 30 anos de implante coclear, dispositivo eletrônico inserido cirurgicamente para estimulação direta do nervo auditivo e chamado popularmente como "ouvido biônico". A primeira cirurgia de implante coclear multicanal no Brasil foi realizada no HRAC em 1990, sob a coordenação do médico Orozimbo Alves Costa Filho, hoje professor sênior da FOB.
O Programa de Implante Coclear do hospital bauruense é também o maior serviço do País em atendimentos exclusivamente pelo SUS, com mais de 2.000 cirurgias realizadas e 1.500 pacientes implantados. "Tínhamos programado um evento comemorativo para junho, mas teve que ser adiado. A data será redefinida, mas deverá ser em formato virtual", conta o professor Luiz Fernando Lourençone, chefe da Seção de Implante Coclear do HRAC/USP e docente do curso de Medicina da FOB/USP.
HC E MEDICINA
O HRAC também vive importante fase de transformação com a expectativa da abertura do HC, que absorverá e ampliará suas atividades assistenciais, de ensino e pesquisa. "A USP tem papel fundamental nesta conquista histórica, cedendo uma nova unidade hospitalar pronta, com necessidades de adequações pontuais", destaca Santos.
O dirigente ressalta ainda que a abertura dos 40 leitos iniciais para Covid-19 será só um primeiro passo. "O Decreto Estadual 63.589, de 6 de julho de 2018 - que criou formalmente o HC -, estabelece que esse novo complexo, composto pelas unidades 1 e 2 do HRAC/USP, absorverá a assistência à saúde oferecida pelo Centrinho e servirá de campo para cursos de graduação e pós-graduação da USP e de universidades locais", explana.
"Com a importante sinalização do Estado de que o HC continuará após a pandemia, é preciso avançar com a assinatura do Acordo de Cooperação Técnica, instrumento jurídico pelo qual a Secretaria de Estado da Saúde assume, de fato, a posse e custeio do complexo hospitalar", pontua Santos.
Outro passo fundamental a ser alcançado em um futuro próximo é a Faculdade de Medicina de Bauru. "Já trabalhamos em um projeto para a criação dessa tão sonhada faculdade, tendo em vista que o atual curso é oferecido pela FOB/USP".