Um estudo realizado pela Prefeitura de Bauru buscará mapear a Covid-19 na cidade por meio de dados e impressões obtidas com as mais de 1,3 mil pessoas contaminadas. Trata-se de uma espécie de censo que indicará, por exemplo, a percepção dos infectados sobre o local em que acreditam ter contraído a doença. A pesquisa servirá como estudo para ajudar o poder público a balizar ações de restrição e flexibilização.
A ideia é que as outras 41 cidades participantes do Pacto Regional também entrem do mapeamento para trazer mais dados e consistência em âmbito regional do estudo (leia mais abaixo).
O questionário está em fase de elaboração pela Secretaria Municipal de Saúde e a ideia é começar a aplicá-lo, por telefone, em Bauru, já na próxima semana, segundo explica o prefeito Clodoaldo Gazzetta. Com as informações, o município quer gerar um banco de dados com aspectos mais humanizados da doença em si e da transmissão.
Gazzetta explica que as pessoas que já foram infectadas com o vírus deverão descrever, por exemplo, quais sintomas tiveram, qual o tempo de duração da doença (se evoluíram rapidamente para cura), se pioraram e em qual estágio, que medicamentos usaram para tentar combater os sintomas e em qual setor econômico ou área da cidade acreditam terem sido contaminados.
"Estamos finalizando a metodologia e ainda iremos chancelar as perguntas, mas devem ser umas seis ao todo, nada muito extenso", comenta o prefeito.
O questionamento telefônico será aplicado aos 1,3 mil já infectados. Após o início da pesquisa, um documento com as perguntas será entregue aos novos pacientes direto nas unidades de saúde.
"Assim, teremos um diagnóstico sobre o vírus em quais atividades ele está circulando mais. Claro que não se trata de uma certeza absoluta, mas é uma percepção de quem passou pela doença. Outros países, como Japão e Coréia aplicaram algo parecido com os contaminados e, a partir disso, fizeram um ranking das atividades com maior possibilidade de contaminação", completa o chefe do Executivo.
CONTRA-ARGUMENTAÇÃO
"Hoje, temos essa dificuldade. O Plano São Paulo diz o que fecha e o que abre com base em fundamentação científica, mas é importante ter essa visão humanizada. Teremos o perfil dos infectados em cada uma dessas cidades e, com certeza, dará para balizar ações", finaliza Gazzetta.