O retorno gradual do futebol ao mundo depois da longa paralisação provocada pelo novo coronavírus tem rendido uma série de curiosidades que vão bem além de jogos por portões fechados, gols sem abraços e rotinas de testes. O chamado "novo normal" traz também uma lista de acontecimentos inusitados, soluções inéditas e até aberrações em placares e estratégias.
Além do episódio das bonecas infláveis na Coreia do Sul, do Maracanã com jogo de futebol ao lado do hospital de campanha ou das fotos de torcedores em assentos na partida Brighton & Hove Albion x Manchester United, no Estádio American Express Community, Brighton, Grã-Bretanha, o futebol vivenciou mais outras situações que permaneceram um pouco escondidas.
Se os jogos são com os portões fechados, a torcida precisa dar um jeito para acompanhar. E opções inusitadas não faltaram nesta nova fase do futebol mundial. Um dos exemplos foi na Síria, onde um grupo de pessoas subiu à laje de um prédio abandonado vizinho ao estádio para acompanhar o jogo em uma posição privilegiada.
Em um outro país, quem tentou se aventurar por esse mesmo caminho não teve sucesso. O atacante brasileiro Teco, do KF Laçi, da Albânia, presenciou uma situação curiosa. "A partida começou e não tinha ninguém acompanhando o jogo. Do nada, começamos a escutar o grito da nossa torcida, como se estivesse dentro do estádio. Quando olhei em volta, eu vi os torcedores na laje e até achei engraçado. Do nada apareceram e ficaram lá amontoados, cantando e gritando", contou.
Mas a investida durou pouco. A polícia foi até lá e retirou o grupo da laje para preservar os cuidados sobre distanciamento social. "Mesmo com a polícia retirando eles da laje, continuaram cantando fora do estádio durante todo o jogo, para nos incentivar durante os 90 minutos", afirmou. O apoio deu certo. O time dele bateu o KF Kukësi por 2 a 0.
Em Portugal, um grupo de torcedores do Porto foi mais sofisticado. No jogo do time como visitante contra o Aves, a ideia deles foi de pagar para uma moradora vizinha do estádio do Aves pudesse recebê-los dentro de casa. Com o acordo firmado, eles penduraram uma bandeira do Porto na sacada e foram os únicos espectadores do empate por 0 a 0.
DRIVE-IN
Se a torcida não pode se aglomerar dentro dos estádios, reunir-se em um estacionamento está permitido. Por isso, alguns times na Estônia e na Dinamarca tiveram a ideia do drive-in, nos moldes dos antigos cinemas da década de 1950. Os clubes instalaram telões em um amplo pátio para que o público pudesse acompanhar os lances, mas dentro dos respectivos carros.
Já no futebol da Eslováquia, a liga local foi retomada com uma determinação diferente. No mês de junho as partidas poderiam ter só 500 pessoas e a partir de julho, o número aumenta para mil. A limitação de ingressos provoca a curiosa situação de que grande parte das entradas ficam nas mãos dos jogadores e dirigentes, que têm direito a uma cota fixa para distribuir a amigos e familiares.
O meia brasileiro Gustavo joga pelo Vion Zlate Moravce e explicou ao Estadão com funcionava a distribuição de entradas em junho. "Dos 500 ingressos, só 300 eram vendidos na bilheteria para o público. Os outros 100 ficavam para um clube e outros 100 para o adversário", afirmou. A torcida voltou a frequentar os estádios com uma distância maior entre os presentes. Demarcações nas cadeiras garantem o cumprimento dessa regra.
Para o jogador, mesmo que seja um público bem limitado, é mais prazeroso do que jogar com os portões fechados.