São Paulo - O senador José Serra (PSDB-SP) e sua filha, Verônica Serra, foram denunciados ontem por lavagem de dinheiro pela força-tarefa da Lava Jato em São Paulo. Ao acusar formalmente o tucano, o Ministério Público Federal (MPF) afirmou que ele recebeu R$ 27,8 milhões da Odebrecht entre 2006 e 2010 em troca de favorecer a empresa em contratos da Dersa, estatal paulista responsável por obras viárias como o Trecho Sul do Rodoanel. Serra nega ter cometido irregularidades.
Além de oferecer a denúncia, a força-tarefa cumpriu, ontem, oito mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador e outros investigados no Rio e em São Paulo. O objetivo é procurar provas que deem continuidade à apuração de eventuais crimes cometidos pelo tucano. Batizada de Revoada, a operação levou policiais federais à casa de Serra, no Alto de Pinheiros, zona oeste da capital paulista, e a um apartamento do empresário e ex-deputado Ronaldo Cezar Coelho, na Vila Nova Conceição, zona sul.
Segundo a denúncia, enquanto foi governador de São Paulo, entre 2007 e 2010, Serra manteve uma "relação espúria" com a Odebrecht, "dela vindo a efetivamente receber, direta e indiretamente, em razão das funções por ele ocupadas, substanciais recursos indevidos". O senador recebeu, de acordo com a Lava Jato, R$ 4,5 milhões da Odebrecht entre 2006, ano da eleição para governador, e 2007. A empreiteira, então, ficou fora de um decreto de renegociação de contratos assinado por Serra no início do mandato.
A investigação do MPF aponta que o dinheiro foi enviado para o exterior por meio de um esquema de lavagem de dinheiro em três camadas.
Serra e Verônica "entre 2006 e, ao menos, 2014, ocultaram e dissimularam, por meio de numerosas operações bancárias, a natureza, a origem, a localização e a propriedade de valores sabidamente provenientes de crimes, notadamente de corrupção passiva e ativa, de fraudes à licitação e de cartel, praticando, assim, atos de lavagem de capitais tipificados", diz a denúncia.
Os procuradores pediram à Justiça o bloqueio de até R$ 40 milhões em uma conta bancária na Suíça que teria sido utilizada no esquema. O pedido e a denúncia serão analisados pela 6ª Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo, que poderá tornar Serra réu.
DELATORES
O relatório do MPF é reforçado pelo depoimento de dez delatores da Odebrecht, Andrade Gutierrez e OAS. Um ex-executivo da Odebrecht afirmou que o ex-governador paulista pediu R$ 4,5 milhões no fim de 2016 e indicou que o dinheiro deveria ser depositado em uma conta de Ramos. O empresário não foi denunciado porque também tem mais de 70 anos e os procuradores só encontraram provas de que o dinheiro passou por suas contas até 2007, o que significa que o crime de lavagem de dinheiro prescreveu. Nas planilhas da empreiteira baiana, Serra era identificado como "vizinho" porque morava próximo a um executivo da companhia.