Cidade do México - Numa época em que quase não há encontros entre chefes de Estado nem cúpulas internacionais, a não ser por videoconferência, devido ao coronavírus, dois dos mais importantes líderes das Américas estarão frente a frente pessoalmente, em Washington, nestas quarta (8), amanhã, e quinta-feira (9).
Um é de direita, Donald Trump (EUA); o outro, de esquerda, Andrés Manuel López Obrador (México). Em comum, os dois minimizam a pandemia e promovem a reabertura de suas economias com números ainda muito altos de infectados e mortos.
O primeiro encontro será uma reunião para tratar de comércio, fronteiras e imigração entre os dois países. No dia seguinte, haverá uma comemoração da entrada em vigor, no dia 1º, do novo tratado de livre-comércio México-EUA-Canadá, que substituiu o Nafta (Tratado de Livre Comércio de América do Norte).
O terceiro mandatário envolvido no acordo, porém, o primeiro-ministro Justin Trudeau, ainda não confirmou presença, e o governo canadense alertou para a falta de segurança sanitária para a realização de um evento desse porte no meio da pandemia.
O convite foi feito por Donald Trump, e o presidente mexicano aceitou, mesmo sem haver voos diretos entre as duas capitais. Ele terá de fazer uma conexão e foi desaconselhado pelo médico que o acompanha.
AMLO (como o presidente mexicano é chamado) foi eleito há dois anos, justamente com a bandeira do anti-imperialismo e por ser, entre os candidatos, a figura mais opositora ao líder americano. Desde sua posse, ainda não realizou nenhuma viagem internacional.
PREOCUPAÇÃO ECONÔMICA
"O que parece predominar agora não é mais o confronto nacionalista, mas sim o pragmatismo, a preocupação com a economia", diz à reportagem o cientista político Jean François Prud'Homme, do Colegio de Mexico. "AMLO precisa governar mais quatro anos e, para isso, tem de incrementar os negócios com os EUA. Já Trump vai aproveitar politicamente o encontro, como fez com Peña Nieto em 2016."
De fato, a perspectiva de queda da economia do México no pós-pandemia é grande: -10,5% do PIB, segundo projeção do FMI (Fundo Monetário Internacional). Além disso, o país deixou de ser o principal parceiro comercial dos EUA na região, sendo substituído pelo Canadá.