O ex-prefeito Rodrigo Agostinho (PSB), atualmente deputado federal, participou de depoimento na Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Cohab, ontem, na Câmara Municipal. Assim como já havia declarado ao JC no começo do ano, e afirmado em um primeiro depoimento da CEI, em março, ele voltou a dizer que desconhecia os saques efetuados durante 12 anos, entre 2007 e 2019, no período em que Edison Bastos Gasparini Jr. era presidente.
Os saques estão em investigação pelo Gaeco, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), e somam quase R$ 55 milhões. O destino da verba ainda é desconhecido. Rodrigo frisou que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e as auditorias independentes nunca constataram irregularidades. Em relação a rejeição das contas pelo TCE, ele afirmou que se deve a falta de construção de moradias. "O modelo de intermediária que a Cohab fazia ficou superado. O Minha Casa Minha Vida faz isso de maneira direta", lembra.
Sobre a manutenção de Gasparini Jr. ao assumir o mandato, Rodrigo cita que o trabalho dele era bem avaliado no governo anterior e vários setores da sociedade consideravam que a permanência era boa naquele momento. Rodrigo chegou a dizer também que não renegociou dívidas com a Caixa pois não havia portarias federais autorizando. Mas, em seu governo, ele pediu autorização para a Câmara para negociar, o que gerou dúvidas e questionamentos entre quem acompanhava o depoimento.
A CEI da Cohab entrega o relatório final na semana que vem. A CEI tem como presidente o vereador Natalino da Silva (PV), o relator é Edvaldo Minhano (Cidadania), e os membros Sandro Bussola (PSD), Ricardo Cabelo (Republicanos) e Pastor Luiz Barbosa (Republicanos).