Internacional

G. Floyd repetiu 20 vezes que não conseguia respirar antes de morrer


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Nova York - George Floyd, o homem negro cujo assassinato pela polícia levou a enormes protestos antirracistas nos Estados Unidos e no mundo, alertou os agentes que o mataram cerca de 20 vezes que ele não conseguia respirar, de acordo com a transcrição da gravação da operação por uma câmera usada por um dos policiais envolvidos no crime. A íntegra da gravação foi divulgada na quarta-feira (8) e a imprensa teve acesso a ela no dia de ontem (9), segundo divulgação do portal R7.com, ligado à Record TV.

A transcrição usa como base a gravação da câmera do corpo de Thomas Lane, um dos quatro policiais indiciados no caso e cuja defesa está buscando atenuar as acusações contra ele, apontando o principal réu, Derek Chauvin, como o responsável pela morte de George Floyd.

Até agora, os últimos minutos da vida de Floyd eram conhecidos graças aos vídeos gravados pelos transeuntes, mas o documento fornecido por Lane mostra a cena, que ocorreu em 25 de maio em Minneapolis, de uma maneira ainda mais dramática.

"Eles vão me matar, vão me matar", disse Floyd, 46, quando os policiais o imobilizaram e ficaram de bruços no chão, ao qual Chauvin, que pressionava o joelho contra o pescoço dele respondeu: "Pare de falar, pare de gritar. É preciso muito oxigênio para falar."

SÚPLICAS DESESPERADAS

As súplicas desesperadas de Floyd foram respondidas pelos outros três agentes envolvidos com frases como "relaxe" (Tou Thao), "respire fundo" (Lane) ou "você está bem, está falando bem" (Alexander Kueng).

Todos os quatro policiais envolvidos na ação foram demitidos da Polícia de Minneapolis e depois acusados de assassinato. A gravação feita pela câmera corporal deixa claro que Floyd informou à polícia que estava com coronavírus, que estava doente e tendo problemas para respirar.

PREOCUPAÇÃO

A certa altura, Lane questionou Chauvin — o agente mais experiente dos quatro — se eles deveriam virar Floyd de lado, mas Floyd respondeu "não". Lane insistiu que estava preocupado com a saúde de Floyd, pois ele parecia estar sob a influência de alguma substância. "Bem, é por isso que uma ambulância está chegando", disse Chauvin, que não levantou o joelho do pescoço de Floyd até que um paramédico o mandou.

Chauvin é acusado de assassinato em segundo grau e assassinato em terceiro grau por matar Floyd, enquanto Lane, Thao e Kueng são acusados de ajudar e favorecer assassinatos em segundo grau. Lane, que aguarda o julgamento em liberdade após pagar fiança de US$ 750 mil, argumentou que essa era sua primeira semana de trabalho e que foi Chauvin quem tomou as decisões que levaram à morte de Floyd.

A frase "Não Consigo Respirar" virou tema de uma campanha em prol dos direitos dos negros. O episódio foi o estopim para uma série de manifestações sob o tema "Vidas Negras Importam", o Black Lives Matter (em inglês).

Ontem o prefeito de Nova York, Bill de Blasio e a primeira-dama Chirlane McCray ajudaram a pintar o novo mural de Black Lives Matter na parte externa da Trump Tower, que pertence ao conglomerado da família do presidente Donald Trump.

 

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