Embora a navegação pelo rio Tietê exista desde antes da colonização no Brasil, ainda no século XVI, sua operação como hidrovia começa apenas em 1981 com o transporte de cana-de-açúcar, cultura já preponderante no interior paulista. Hoje, muita coisa mudou. Há transporte de cargas em plena capital paulista, na marginal, onde há até a eclusa da Penha - o que poucos paulistanos sabem -, e de turistas, na região de Barra Bonita.
Neste século XXI, a hidrovia Tietê tem importância vital para a economia nacional. Soma 800 km de rio navegável no Estado de São Paulo e faz parte do sistema hidroviário Tietê-Paraná, importante corredor de exportação com um total de 2.400 km abrangendo 5 Estados: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais. O sistema conecta grandes áreas de produção do país aos modais ferroviário e rodoviário para que estes levem produtos a portos marítimos, principalmente Santos, de onde partem para exportação.
Em 2019, o modal hidroviário paulista transportou quase 9 milhões de toneladas. Em plena pandemia do coronavírus, não parou um dia sequer e transportou entre março e maio um total de 461.634 toneladas de produtos - como cana-de-açúcar e soja. Sua importância cresce ainda mais porque a hidrovia oferece enormes vantagens econômicas e ambientais.
O custo é cerca de 30% mais barato se comparado ao modal ferroviário e 50% mais em conta em relação ao rodoviário.
Na hidrovia, o custo é de R$ 55 por tonelada ante R$ 72 nos trilhos e R$ 95 nas rodovias. Mais: a hidrovia tem uma função estratégica no interior paulista e principalmente neste momento em que se pensa na retomada da economia pós-pandemia, pois está pronta e apta para receber mais cargas, inclusive com o porto intermodal de Pederneiras em funcionamento e outros dois encaminhados - Araçatuba e Boraceia. Esta estrutura já é realidade enquanto a ampliação da malha ferroviária da Rumo levará alguns anos até ser realidade.
Além da compensação econômica, o transporte de cargas por hidrovia representa um enorme ganho ambiental, já que cada comboio (conjunto de quatro embarcações) transporta em cargas o equivalente a 200 carretas pelas rodovias. Traduzindo, é só imaginar que o comboio carrega apenas um motor ante os 200 motores das carretas, uma diminuição abissal na emissão de gás poluente. É uma confluência de ganhos em vários aspectos: ganha a economia, ganham todos os moradores ribeirinhos e ganham o Estado de São Paulo e o país!
O autor é engenheiro civil e secretário estadual de Logística e Transportes de São Paulo.