Tribuna do Leitor

Política, religião e as leis de destruição, progresso e renovação

José Quaglio - www.josequaglio.com
| Tempo de leitura: 3 min

Além do meu habitual contato com os inúmeros relatos da Bíblia, tive a alegria de poder assistir à interessante e bem feita novela denominada Jesus que está sendo reprisada pela TV Record. As inúmeras cenas marcantes, bem trabalhadas e envoltas em cenários bem construídos contribuem para que possamos compreender o imenso poder e as imensas regalias das duas elites políticas e religiosas da época de Jesus, constituídas por Romanos e Judeus em detrimento ao sofrimento do povo que vivia sem liberdade.

É notório que o Divino Mestre não se importava com as desconfianças que pairavam sobre a sua aparente fraqueza moral, em especial pelos Judeus que aguardavam um outro tipo de revolucionário que fosse capaz de libertá-los do jugo romano. Coerente com a sua política Jesus dissuadia seus seguidores acerca do perigo oriundo das más influências em virtude da profunda ignorância, maldade e do fanatismo então vigentes em especial pelos detentores do poder político e religioso. Pasmem! Ávidos pela manutenção do poder lançaram mão de um processo muito usado na atualidade: a manipulação, para, com a anuência do povo - infelizmente iludido e ignorante - levarem o Divino Mestre à crucificação.

É possível verificar que Jesus aparentemente derrotado demonstrou a sua conexão com as forças da Espiritualidade Maior que o amparava das mais variadas formas. Um acontecimento marcante foi o chamado "Sermão profético" acerca da destruição do templo de Jerusalém. Porquanto, ao sair do mesmo Jesus respondeu aos seus discípulos que o indagava sobre "Que pedras, que construções", da seguinte forma: "Vedes estas grandes construções? Não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada". Ficou claro que o mesmo anteviu que tal se daria através da invasão pelos Romanos ainda no primeiro século da era cristã (Mc 13, 2). Certamente a fez para que pudéssemos compreender que a destruição é um mal necessário e faz parte da magnífica estratégia do Criador, que, em muitas circunstâncias se utiliza dos seus próprios filhos na execução dos seus desígnios. É possível notar que o objetivo dessa Pedagogia Divina é garantir além da aprendizagem significativa de cada ser humano em suas respectivas coletividades, também o aceleramento do progresso e a renovação da humanidade em bases seguras na implantação do reino de paz, amor, justiça, liberdade, caridade, fraternidade... em cumprimento das promessas do Cristo. E, para tanto, se torna indispensável e inevitável a aplicação das suas leis, em especial a de Destruição (O Livro dos Espíritos, capítulos 5 e 7).

Como conclusão, sob a minha limitada ótica e salvo as devidas proporções no tempo e no espaço, creio que seja possível se fazer uma certa analogia entre as duas correntes ideológicas do passado acima citadas e suas formas de proceder, com as que vigem atualmente em especial aqui no nosso Brasil e que são denominadas, politicamente, "esquerda" e "direita". Ambas agem num interessante e curioso processo de construção e destruição na busca e na manutenção, obstinadas, pelo poder. Muitos se encontram tão fascinados que além de ignorarem algo de bom no opositor e nas instituições democráticas construídas com muito ardor de idealistas ao longo dos séculos, agem como se fossem os únicos detentores da verdade e os paladinos da ética na política e na religião; e o mais grave: se arvoram como se fossem os exclusivos e legítimos defensores do povo, da democracia, da justiça, da liberdade, da família, dos bons costumes, da pátria, do Cristo, de Deus...

Muito cuidado! Vigiai e orai! (Lc 21, 36).

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