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A dura missão dos fiscais de Bauru

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

"Cidadão não! Engenheiro civil, formado, melhor do que você...". Foi essa a afirmação de uma mulher ao fiscal da Prefeitura do Rio de Janeiro, que a abordou ao lado de seu marido durante uma inspeção. O episódio marcou o início deste mês e repercutiu fazendo com que o termo #demitida ficasse entre os assuntos mais comentados no twitter brasileiro, já que ela perdeu o emprego após o ocorrido ser veiculado.

Ainda que não tenham passado por nenhum episódio de agressão física ou verbal, como no Rio de Janeiro, os fiscais de Bauru também relatam as dificuldades e resistências encontradas em suas rotinas diárias, de segunda a segunda, na averiguação de normas para prevenir a Covid-19. "Nossa presença não é bem-vinda", ressalta a diretora de divisão de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde, Andressa Pelissari Zambolin Sabino.

Ela lidera três equipes, com 14 fiscais cada, que vão às ruas separadas em turnos, para inspecionar o cumprimento das normas impostas pelo combate à doença. "A maior resistência é em locais em que existe o consumo de alimentos e bebidas alcoólicas, em geral. Quando temos que pedir para fechar, por mais que façamos uma abordagem com muita cautela e empatia - porque sabemos da necessidade de as pessoas trabalharem - nós não somos bem recebidos", afirma.

Além desse tipo de estabelecimento, Andressa salienta que as festas clandestinas também são denúncias complicadas para os fiscais. "Não só os organizadores, mas os convidados também se colocam de forma contrária à nossa ação. Mas, até agora, temos muito apoio da Polícia Militar (PM). Em determinadas situações, não fazemos a abordagem sem a polícia estar no local, porque a nossa prioridade é manter a integridade física dos nossos fiscais", explica.

TRABALHO INTENSO

De acordo com Andressa, "como nós já trabalhávamos na fiscalização do cumprimento de leis, decretos e normas, por mais que haja algumas mudanças, os fiscais não precisaram de um treinamento efetivo para o trabalho de fiscalização para a Covid-19".

A agente de saneamento da sessão de alimentos Erica Cristina de Oliveira Campos, que também faz parte dos grupos de fiscais de rua, comenta que, em 20 de março, os trabalhos começaram em comboio com a polícia. "Ficamos até de madrugada", conta. Ainda viria um longo caminho de trabalho intenso para esses grupos.

"Trabalhamos com escalas de equipes em períodos alternados para atender as denúncias que recebemos na Ouvidoria da Prefeitura. São equipes setorizadas que recebem informações enquanto estão na rua. São seis horas na rua e duas realizando os processos de auto de infração no escritório, de segunda a segunda-feira, sem feriados", comenta Erica.

ORIENTAÇÃO

Em casos do não cumprimento do uso de máscaras em estabelecimentos, os fiscais trabalham na autuação dos proprietários, mas também explicam sobre a importância e a necessidade de usar o acessório facial. "Quando são locais com venda de alimentos, dificulta. Mas quando as pessoas que estão no local estão sem máscaras, também fazemos o trabalho de orientação", conta Andressa.

De modo geral, a orientação para o trabalho dos fiscais é de que façam abordagens cautelosas para não entrarem em conflitos e discussões.

"Estamos trabalhando desde março, sem parar. Pedimos a compreensão das pessoas, porque temos nos dedicado muito pelo cuidado da saúde da população. É o que gostaríamos que as pessoas entendessem quando chegam os fiscais", finaliza Erica.

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