Cultura

Pandemia obriga parte dos artistas de Bauru a migrar para outras atividades

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

"Foram os primeiros a parar e serão os últimos a voltar ao normal". Essa é uma constatação comum na classe artística a respeito dos impactos que a pandemia da Covid-19 vem causando a eles. Apesar do Auxílio Emergencial, da recente Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, sancionada em junho, e do Projeto 'Viva a Cultura' (leia mais abaixo), artistas bauruenses de diversos segmentos tiveram de enfrentar a crise no setor cultural migrando para outras fontes de renda.

Exemplo disso é o sambista e produtor cultural Ivo de Paula Fernandes, que precisou recorrer ao serviço de transporte por aplicativos - o qual já utilizava antes para complementação de renda - para minimizar o impacto de todos os cancelamentos de shows. "Eu, que larguei tudo para viver da bandeira do samba, fui muito impactado pela pandemia", afirma Fernandes.

Há 15 anos trabalhando com música em Bauru, no grupo Quintal do Brás - fundado por ele - e demais coletivos, Ivo passou os últimos meses vivendo da renda exclusiva de suas apresentações. "A música vinha bem. Então, minhas contas estavam baseadas neste ganho mensal. Agora, estou com dificuldade extrema, porque só tenho o aplicativo como fonte de renda e não tem sido suficiente."

Outro que teve sua agenda completamente riscada foi o DJ Marlon Batista de Oliveira. Ele trabalha com música há mais de 10 anos e teve de cancelar seus planos. " Felizmente, o dono da casa onde eu morava foi compreensivo, porque estávamos sem condições de pagar o aluguel e outras contas", conta o músico que mora com a noiva, com quem pretendia se casar ainda este ano.

Neste momento delicado, o casal pôde contar com a ajuda de algumas doações de cestas básicas e logo resgataram uma fonte de renda que havia dado certo no passado. "Minha noiva fazia trufas e ovos de Páscoa para levantar renda pro nosso casamento. Agora, que adiamos, voltamos a vender para nos manter", comenta.

Também recebendo o auxílio e participando do projeto municipal "Viva a Cultura", o poeta e escritor Leonardo Alípio de Miranda Benini, conhecido como Nôah, mudou de estratégia para manter a renda de sua família. "Nas ruas, eu oferecia meus poemas para as pessoas em troca de qualquer moeda. Ganhava cerca de R$ 100,00 em três horas."

Logo no início do isolamento social, o trabalho foi impossibilitado e Nôah passou dificuldades com as contas se atrasando. "Minha mãe nos ajudou e eu criei o canal 'Benanha' no YouTube, para divulgar meus poemas e vender meus livros. Mas não consegui monetizar. Então, conto apenas com as doações em um financiamento coletivo. Até o momento, só uma pessoa me ajudou", finaliza.

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