Sempre que ouve o barulho agudo da sirene do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), em Bauru, Lucimar Pascholatto, de 44 anos, não consegue segurar a alegria. Com deficiência intelectual, ela é fã do órgão, cujos profissionais, considerados "super-heróis" sob o seu ponto de vista, a socorreram, há oito anos, após sofrer uma queda da cama. Neste mês, três servidores resolveram visitá-la, rendendo à mulher um sorriso largo mesclado com lágrimas emocionadas.
Madrasta de Lucimar, a aposentada Antonia Costa, de 72 anos, conta que faltou oxigênio à enteada tão logo nasceu. "Ela se comporta como uma criança de 4 anos e, portanto, depende de cuidados semelhantes", acrescenta.
Há quase uma década, Lucimar caiu da cama e quebrou o pé. A dor se transformou em alegria assim que foi resgatada por uma equipe do Samu. "Desde então, ela não mais parou de falar sobre o serviço", relata.
A aposentada acredita que a iniciativa do órgão local em visitá-la até deixou a enteada mais calma. "Tudo o que é feito de bom para ela me deixa feliz", observa.
A mulher vive com a madrasta e o pai, o aposentado Durvalino Pascholatto, de 71 anos, na Vila Industrial.
RECONHECIMENTO
De acordo com o diretor médico do Samu, Guilherme Trípoli, um amigo da família de Lucimar entrou em contato com a enfermeira do órgão, Patrícia Iolanda, para quem também encaminhou um vídeo. Nele, a mulher aparece demonstrando a sua sincera admiração pelo serviço.
Em seguida, Iolanda se reportou a Trípoli e, juntos, eles idealizaram uma visita à casa de Lucimar. "Eu fiquei muito feliz, porque são raras as pessoas que reconhecem o nosso trabalho", comenta o diretor do Samu.
Ainda segundo ele, o médico, a enfermeira e o condutor Valter Viol, que não estavam de plantão naquele dia, utilizaram uma ambulância reserva para surpreender uma das suas maiores fãs. "Ao ouvir a sirene, ela se emocionou bastante".
Assim que a equipe chegou à casa de Lucimar, ela saltou na viatura e deu uma volta no quarteirão. Na ocasião, todos utilizaram máscaras. A mulher também ganhou uma boneca e uma garrafa personalizadas com a logomarca da instituição.
Para Trípoli, o Samu tem como premissa a conscientização das pessoas sobre o uso correto do serviço, evitando os temidos trotes, que tanto atrapalham o trabalho das equipes médicas. "A visita à casa de Lucimar também serviu para este propósito. Paralelamente, tocamos o Projeto Samuzinho, que atua na orientação de crianças junto às escolas da cidade", finaliza.