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Pandemia reforça importância do SUS

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Nascido junto com a Constituição de 1988, o SUS é o maior sistema público de saúde do mundo, que assiste a mais de 160 milhões de pessoas, com capilaridade em todo o território nacional. Apesar da estrutura robusta de acolhimento, o serviço, volta e meia, se torna alvo de críticas e, não raramente, alguns setores se mobilizam para defender sua extinção.

Porém, nesta crise sanitária histórica que o País enfrenta, o SUS voltou a reforçar sua importância, dando resposta rápida para ampliar sua estrutura e garantir, da melhor forma possível, o tratamento dos pacientes atingidos pelo novo coronavírus, de maneira gratuita e universal.

A forte atuação do sistema mereceu reconhecimento até mesmo do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que declarou só ter tomado ciência da dimensão do SUS com a pandemia. É evidente que o serviço, cronicamente subfinanciado, apresenta falhas, mas boa parte da classe política e da população têm compreendido que, graças à existência deste sistema, milhares de brasileiros afetados pela Covid-19 estão tendo suas vidas salvas.

"Sem o SUS, certamente, teriam morrido pelo menos dez, vinte vezes mais pessoas do que morreram até agora, porque elas não teriam como pagar o tratamento. Teríamos mortes em massa", analisa o médico e ex-deputado estadual Pedro Tobias. Para se ter ideia, conforme reportagem publicada pela revista Time, um paciente nos Estados Unidos, que estava sem plano de saúde e contraiu o novo coronavírus, relatou ter recebido uma fatura de US$ 34,9 mil (o equivalente a quase R$ 175 mil) ao ter alta do hospital.

A relevância do SUS é referendada por outros especialistas ouvidos pela reportagem, como o professor Gonzalo Vecina Neto, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), considerado pela revista HealthCare Management uma das cem personalidades mais influentes da área no País. "Assim como no Brasil, a mesma coisa está acontecendo na Europa, em países como a Itália, Espanha, Inglaterra. Eles estão descobrindo que é preciso rever o nível de prioridade que é dado ao sistema de saúde público, melhorar a capacidade de financiamento", pontua ele, que também é ex-secretário municipal de Saúde de São Paulo, ex-superintendente do Hospital Sírio Libanês e um dos mentores e primeiro presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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Vecina explica que, em razão da pandemia, recursos foram rapidamente direcionados para o SUS, o que permitiu a ampliação da capacidade de internações em curto espaço de tempo. Para se ter ideia, em março, o sistema contabilizava 14.869 leitos de UTI. Dois meses depois, o número subiu para 19.564, elevando o índice de 7 para 9 leitos por 100 mil habitantes.

"Houve a realocação de leitos gerais para UTIs, além da criação de leitos em hospitais de campanha. Foi um esforço muito grande, mas, mesmo assim, diante da dimensão da pandemia, a gente sabe que não está sendo suficiente", analisa.

Como medida de comparação, ele cita os números do setor privado, que acumula 15.754 leitos de UTI para 48 milhões de brasileiros que possuem planos de saúde - uma média de 32,8 leitos por 100 mil habitantes. Mesmo assim, ele reforça a importância do sistema público, de quem 77% da população depende para todo tipo de cuidado de saúde.

"Além disso, o SUS é responsável por 95% dos transplantes de todo o Brasil; por mais de 95% das hemodiálises - e são 140 mil brasileiros em hemodiálise; por oferecer medicação a 100% dos 8 mil hemofílicos; por tratar mais de 800 mil pacientes com Aids", enumera, destacando, ainda, como evidências da robustez do SUS o sistema nacional de vacinação e o fato de o serviço ser o único a oferecer atendimento para pessoas picadas por animais peçonhentos no País.

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