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Bauruense em Paris registra retomada de atividades depois do confinamento

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

O Brasil ainda vive um cenário de incertezas sobre o futuro quando a pandemia chegar ao fim, mas, em alguns países do mundo, muitas pessoas já começaram a vivenciar a experiência do que muitos têm chamado de "novo normal". É o caso da bauruense Maria Fernanda Hinke, 39 anos, empreendedora de cicloturismo que mora há quase dez anos na França.

Instalada em Paris, ela decidiu, com um grupo de amigos, registrar este momento inédito e criou a série de vídeos #parisdesconfina, que revela um pouco de como tem sido a retomada das atividades na cidade. "A ideia é trazer um pouco de alento aos brasileiros, mostrar que, por ora, esta retomada está dando certo e que pode dar certo, em breve, no Brasil também. O que a gente deseja é que as pessoas possam voltar a sonhar com o futuro, com a possibilidade de viajar, conhecer novos lugares, e deixar um pouco de lado este pessimismo que anda dominando nossos dias", comenta.

Fernanda explica que, embora ainda persistam exigências como o uso de máscaras em alguns ambientes fechados, a vida dos franceses já está sendo restabelecida dentro desta nova normalidade. Uma das grandes diferenças neste momento, contudo, é a ausência de turistas, que costumavam lotar os pontos mais conhecidos de Paris durante o verão europeu. Em um dos vídeos gravados, Fernanda mostra a praça em frente à Catedral de Notre-Dame praticamente vazia, algo totalmente novo para quem mora na cidade.

"As fronteiras continuam fechadas para os países que não pertencem à União Europeia. É evidente que isso representa um impacto econômico muito grande para a cadeia do turismo, mas, por outro lado, os parisienses estão vivenciando a cidade de uma maneira inédita", descreve. Outra mudança visível é o aumento do uso de bicicleta como meio de transporte, que tem sido eficaz para garantir o distanciamento entre as pessoas durante deslocamentos.

De acordo com a empreendedora, os franceses permaneceram por dois meses em confinamento absoluto. Neste período, funcionavam apenas serviços essenciais e, sob intensa fiscalização policial, os moradores só podiam sair de casa para comprar suprimentos básicos. "Também tínhamos autorização para praticar esportes ao ar livre uma hora por dia, em um raio de até um quilômetro de casa", descreve.

OTIMISMO

No país, a flexibilização das atividades após apenas dois meses é atribuída à forte adesão da população ao isolamento. Segundo Fernanda, a primeira fase do desconfinamento começou em 11 de maio e a segunda, em 2 de junho. "Nesta segunda etapa, bares e restaurantes, parques e museus pequenos reabriram. Já na terceira fase, iniciada na semana passada, foi a vez dos grandes museus e piscinas públicas. Também já foram reabertos cinemas e teatros", pontua.

Desde o início do processo de flexibilização, o país não precisou recuar nas regras, o que tem sido importante para a recuperação da economia e para que as pessoas possam retomar suas vidas com maior sensação de segurança e otimismo, depois de todos os efeitos provocados pela pandemia. Porém, apesar de o número de casos estar controlado, as autoridades não descartam a possibilidade da chegada de uma segunda onda de contaminação do vírus.

Muito embora preocupações como esta ainda perdurem, a empreendedora afirma que setores econômicos e trabalhadores atingidos pela pandemia seguem amparados pelo governo, o que ajuda a garantir dignidade e certa tranquilidade para atravessar este momento de transição. No caso dos profissionais do turismo, como ela, auxílios financeiros foram assegurados ao menos até o final do ano.

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