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Terapia alternativa: caminho de reencontro pessoal na pandemia

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

"Amanhã eu faço. Quando as crianças crescerem eu vou atrás. Quando eu aposentar eu realizo isso". Frases como essas já passaram pela sua mente? Há sempre um depois, priorizando necessidades tidas por básicas, como ganhar dinheiro, pagar as contas, comer e dormir. No dia a dia, com o acúmulo de atividades, a última coisa que uma pessoa faz é pensar em si mesma, de acordo com a bauruense Silvia Morby Garcia, pedagoga e terapeuta especialista em Emotional Freedom Techniques (EFT).

Para ela, neste momento de desaceleração que o mundo foi submetido por conta da pandemia da Covid-19, tem acontecido um fenômeno natural e humano que é o olhar para si mesmo. "Isso, para quem esteve disperso por todo este tempo e nunca se atentou para si, causa um grande conflito que é estar em sua própria companhia. É por isso que algumas pessoas reagem com o pânico e a ansiedade e outras vêm se autodescobrindo e cuidando de si mesmas", afirma a terapeuta.

Após o início da pandemia, o Centro Terapêutico e Pedagógico "Aldeia Florescer" - desejo antigo da filha, a psicóloga Maiara Garcia -, onde atuam juntas, passou a receber muitos desses casos de pacientes com medo, pânico, ansiedade e depressão para o tratamento com terapias alternativas. "Somos criados para não olhar para as sombras. Quando se chora, logo pedem para parar. Quando se está de luto, sempre tem alguém que tenta animar. Você passa a se desconhecer. Quando você nega as sombras, elas vêm como uma avalanche em determinado momento", explica.

NÃO CONVENCIONAL

Vale destacar que é considerada alternativo todo método não convencional e acadêmico de tratamento. "Mas a eficiência dessas terapias é tão abrangente quanto às convencionais, só não utilizamos medicamentos", diz.

"Claro que não estamos contradizendo ou tirando o mérito da medicina tradicional, mas a cura, sempre, está dentro da própria pessoa. O que fazemos é levá-la ao entendimento disso com a reprogramação mental e autoconhecimento", explica.

REENCONTRO PESSOAL

A terapeuta ainda explica que a quarentena evidenciou a necessidade dos cuidados com o corpo físico, emocional, mental e espiritual, por ter feito com que todos parassem um pouco de correr tanto, de consumir, de escapar de si mesmo. "Se você não consegue ser seu/sua melhor companheiro(a), a vida é difícil. Pois você convive consigo mesmo 24 horas por dia, por anos e anos. Quem é este desconhecido que você não suporta?", diz. "Essas pessoas buscam alternativas nas compulsões. Bebidas, comidas, drogas, jogos, televisão, internet, ou seja, qualquer coisa que a faça estar distraída permanentemente e não consigo mesma. Essas pessoas estão no piloto automático, vivendo um adormecimento", completa.

Segundo Silvia, a terapia nesta hora é muito eficiente. "Ela faz esse movimento silencioso, amoroso, de acolhimento e aceitação. É um instrumento para chegar à consciência. Isto é, quando não se atribui a responsabilidade a nenhum outro que não seja a si mesmo", conta.

#GRATIDÃO

Em tempos de vida 'instagramável', em que até a gratidão foi banalizada por hashtags, as terapias também foram levadas a um patamar de 'moda'. "Um movimento que vem muito forte, por exemplo, é o veganismo. Se a pessoa tem aquilo como verdade, pode ser que ela entre nisso por uma moda e permaneça encontrando o real sentido. Cada um vai saber se está sentindo verdadeiramente ou é só uma hashtag", afirma. É dessa maneira que, segundo a terapeuta, o sistema faz com que olhemos, o tempo todo, para fora e nunca para dentro. "Se você fala que vai parar para cuidar de você, internamente, passa pela sua cabeça que você está sendo egoísta. Nós vamos entregando nossa força interior e nos desassociando de nossa essência ao ponto de adoecer", finaliza.

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