Golpistas, lunáticos, dançarinos de araque, escritores suicidas. Essa é apenas parte da trupe literária que habita o primeiro livro de Bruno Sanches, um dos criadores do clube de leitura Cevadas Literárias e que mostra maturidade nos 13 contos que compõem "O fim e o começo", lançado no último dia 15 de julho, às 20h, numa live do autor e convidados ligados à literatura em Bauru.
Segundo Bruno Sanches, "O fim e o começo" traz contos com alma de crônica, na medida em que tangenciam um cotidiano fugaz, com personagens delicadamente verossímeis e, ao mesmo tempo, permitem reflexões mais profundas sobre a existência humana e a imprevisibilidade da vida. "A maioria dos textos tem uma relação com os ciclos, como morte e vida, com perdas e ganhos, com histórias que começam no fim ou terminam no começo. Aliás, nasce daí o título", explica o escritor.
É o caso do conto "Com carinho, Chico", que narra a historia de um escritor iniciante que comete suicídio sem motivos aparentes, logo após o lançamento de seu mais novo livro. Ou mesmo "A mala do enxoval", que relata a vida de Djanira, que vê seus três grandes amores morrerem e, no final da vida, tem uma atitude inesperada.
A ideia dos ciclos presente nos textos também foi traduzida para o projeto gráfico, assinado pelo designer bauruense Gustavo Domingues, e traz imagens de lagartas (capa) e borboletas (miolo) para simbolizar as metamorfoses de um inseto, metáfora exposta em vários contos.
Letra e música
Bruno Sanches conta que a ideia inicial do livro era que os contos formassem uma espécie de playlist musical, pois vários deles tocavam no universo de canções nacionais e estrangerias. "Embora a seleção e edição dos textos tenha tomado outro caminho, acho que é fácil perceber essa influência da minha vida. Tem muita música nesse livro", diz Bruno.
No conto "O lado escuro da Lua", por exemplo, o escritor nos apresenta uma entrevista histórica (ainda que ficcional) com o engenheiro de som Alan Parsons, conhecido por ter sido um dos responsáveis pela gravação do emblemático álbum "The dark side of the Moon", da banda Pink Floyd. No conto, Parsons fala da relação entre o álbum e o filme "O mágico de Oz", de 1939. Tudo criado por Bruno, que nos coloca em xeque diante de tamanha verossimilhança com a realidade.
Com humor, ainda resgata a canção "Pai", de Fábio Jr, e mistura Michael Jackson, U2, Depeche Mode, Sambô e a dupla sertaneja Wartinho e Warci, que dá nome a outro conto. Em "Silent Lucidity", Bruno mergulha na personagem de uma adolescente e sua relação com a avó, durante um show da banda Queensrÿche, capitaneada por Chris DeGarmo, autor da música que dá titulo ao conto.
Assim, "O fim e o começo" dá vida a histórias bem-humoradas, sarcásticas, melancólicas, cheias de surpresas. Tudo de uma vez, como se o mundo estivesse prestes a acabar. Como se fosse o fim. Ou o começo.