Dá para alguém decretar o fim do coronavírus? Se a Justiça, os vereadores, os governadores e os prefeitos podem decidir o que bem entendem, a qualquer hora do dia ou da noite, alguém também tem que baixar um decreto matando o vírus. É fácil. Afinal, a vida do povo sempre foi decidida na base da 'canetada', agora não deve ser diferente. É sarcasmo? É, sim. Não é possível que em meio a uma desgraça de proporções jamais vista por muitas gerações os detentores dos poderes façam essa lambança com as vidas alheias. Um decreta, o outro derruba o decreto e um terceiro se exime de responsabilidade. No meio está a população sem saber o que fazer, sendo explorada por todos os lados.
Explodiu a automedicação e grande parte de quem tem poder aquisitivo razoável, sai por aí 'limpando' as prateleiras das farmácias, tomando remédios que dizem prevenir, que matam o vírus, que impedem a contaminação e por aí vai o roteiro de terror imposto no País. Por quê? Porque todo mundo é especialista e sabe tudo sobre vírus. As medidas simples que podem evitar a transmissão mais rápida do vírus, viraram assunto de discussão, revolta e está feita a bagunça a moda brasileira. Enquanto essa fumaça paira no ar, uma caixa de luvas descartáveis passou dos recentes R$ 26,00 para nada menos que R$ 62,00 até R$ 79,00 com diferença apenas entre marcas. Nas prateleiras dos supermercados, os preços dos produtos saltam como um jogo de ping- pong, e a população rebola para conseguir comer. De outro lado, estão os 'sabe tudo', palpiteiros de plantão, cujo objetivo é apenas confundir os vulneráveis.
Tudo acontece de uma forma descoordenada, e as pessoas ficam esperando apenas o próximo decreto para sair malhando quem estiver na frente. Não entendem que estão todos vivenciando uma situação inusitada. É uma situação que nunca se viu antes. É o desconhecido dominando a humanidade. E nem assim os sempre revoltados entendem. E pior, se morre alguém da família, a culpa é de todo mundo, especialmente dos Governos, que também não sabem como lidar bem com essa confusão.
Sabe quando menos é mais? Quando cada um assume a sua parte de responsabilidade, sem chiadeira. Quem sabe, quando Executivo, Legislativo e Judiciário pararem de 'olhar o próprio umbigo' e trabalharem juntos, surja uma luz no fim do túnel. Ou isso ou o vírus vence!
A autora é jornalista, colabora com Opinião.