A direção da Fórmula 1 confirmou, nesta sexta-feira (24), que o GP do Brasil não será disputado neste ano. A decisão se deve ao temor dos casos de Covid-19 no País, que registra um dos maiores números de infectados e de mortos no mundo. Será a primeira vez em quase 50 anos que não haverá prova no Brasil, que está presente de forma ininterrupta no calendário desde 1973.
De acordo com a cúpula da categoria, a decisão "se deveu à natureza fluida da pandemia de Covid-19, às restrições locais e à importância de manter as comunidades e nossos colegas em segurança". A F1 disse também que manteve longas discussões com todos os envolvidos de cada país. Também foram cancelados os GPs dos Estados Unidos, do Canadá e do México.
Em comunicado, o CEO da F1, Chase Carey, disse estar ansioso para ver estas corridas no calendário de 2021. "Queremos reconhecer o esforço dos nossos incríveis parceiros das Américas e estamos ansiosos para estar de volta nestes países na próxima temporada, quando eles poderão novamente gerar emoção para milhões de fãs pelo mundo", declarou.
O Brasil, contudo, ainda não tem contrato para receber uma etapa da temporada no próximo ano. O acordo da cidade de São Paulo se encerra neste ano. E, para o futuro, a capital paulista tem a concorrência do Rio de Janeiro, que alega estar perto de um acerto com dirigentes da F1.
Portanto, há a possibilidade de São Paulo e o Autódromo de Interlagos não voltarem a receber uma corrida da F1 tão cedo. O Rio diz negociar contrato de 10 anos com a categoria.
Semanas atrás, o governador paulista, João Doria, havia garantido que a prova seria realizada. "Para este ano, está confirmada a Fórmula 1 (no Brasil) e o autódromo está preparado para receber a Fórmula 1, evidentemente dentro dos protocolos de saúde. Os organizadores sabem que em qualquer parte do mundo devem obedecer os protocolos de saúde da cidade", disse.
MAIS DE R$ 300 MILHÕES
O anúncio da organização da F1 de que não haverá GP no Brasil em 2020 representa um golpe duro não apenas para a história da categoria no Brasil, mas também para os cofres da prefeitura de São Paulo.
De acordo com pesquisa do Observatório de Turismo e Eventos da SPTuris, a empresa de turismo da Capital, o impacto econômico gerado pelo GP Brasil em 2019 foi de R$ 361 milhões. Em 2018, também segundo a SPTuris, o evento movimentou R$ 334 milhões.
Neste ano, caso Interlagos recebesse a prova, a movimentação econômica na cidade seria consideravelmente menor, já que o autódromo provavelmente não poderia receber público
NOVIDADES
Ao mesmo tempo em que anunciou o cancelamento de todas as provas nas Américas, a F1 divulgou novidades para o calendário deste ano. Mais três corridas foram adicionadas à temporada: os GPs de Portugal (Portimão), da Alemanha (Nurburgring) e de Ímola, em San Marino. As provas estão marcadas para os dias 11 e 25 de outubro e 1 de novembro, respectivamente.
Será a primeira vez que o Circuito Internacional de Algarve receberá uma corrida da F1 - Portugal não organizava uma disputa desde 1996. Em Ímola, a prova será realizada no Autódromo Enzo e Dino Ferrari.
Com estes anúncios, o calendário deste ano tem confirmadas 13 corridas. A direção da F1 espera contar com 15 a 18 provas neste ano. Inicialmente, a temporada teria o recorde de 22 etapas.