A ivermectina é a mais nova substância a entrar na lista da Agência Nacion al de Vigilância Sanitária (Anvisa) entre os medicamentos que só podem ser vendidos nas farmácias com retenção de receita médica. A medida ocorre em meio a uma corrida da população pelo remédio, que é usado no tratamento contra parasitas, como sarna e piolho, mas vem sendo indicado por parte dos profissionais médicos como auxiliar na cura ou prevenção da Covid-19.
Segundo a Anvisa, o objetivo da nova norma é evitar o uso indiscriminado do medicamento. A agência já havia adotado o mesmo controle em relação ao antimalárico hidroxicloroquina e cloroquina, em março, bem como ao antiparasitário nitazoxanida (Annita), em abril.
Vale destacar que, até o momento, não há qualquer comprovação científica, com base em estudos randomizados e controlados, de eficácia destes fármacos no combate à Covid-19. Mesmo assim, em meio a um cenário de incertezas diante de uma pandemia causada por um vírus ainda não totalmente conhecido, muitas pessoas - e profissionais de saúde - têm apostado nestes e outros medicamentos como possíveis soluções de enfrentamento à doença.
O Jornal da Cidade fez contato com algumas farmácias de Bauru, em diferentes bairros da cidade, e, em todas, os funcionários, sob condição de anonimato, confirmaram que, até quinta-feira (23), quando a Anvisa mudou os parâmetros para compra da ivermectina, a procura pelo remédio era muito alta. "Chegamos a registrar falta do medicamento por conta da procura. Recebíamos reposição e, em um ou dois dias, acabava tudo", comenta um funcionário.
De acordo com ele, boa parte dos clientes, mesmo sem sintomas, adquiriu o fármaco por orientação médica. Com receita em mãos, compravam um 'combo anti-Covid', prescrito por profissionais tanto da rede pública quanto privada. Com algumas variações, o 'kit' incluía ivermectina, hidroxicloroquina e o antibiótico azitromicina, associados a algum analgésico para controle de dores.
LISTA DE ESPERA
Conforme o JC apurou, as prescrições médicas vêm sendo dadas tanto para pacientes com exame positivo para Covid-19, quanto para pacientes suspeitos, com sintomas leves ou nenhum sintoma. Em alguns casos, também foi receitada até mesmo a prednisolona, um corticoide recomendado para casos graves, segundo infectologistas ouvidos pelo JC.
"Até antes da restrição, muitas pessoas também compravam ivermectina por prevenção, mesmo sem ter sintoma. A mesma coisa aconteceu com a hidroxicloroquina meses atrás", comenta um farmacêutico. Para se ter ideia da demanda, durante os últimos meses, algumas drogarias de Bauru chegaram a fazer lista de espera de clientes, que eram acionados por telefone assim que o estoque destes produtos era reposto.
Segundo o diretor do Departamento de Urgência e Emergência do município, Paulo Pepulim, a farmácia do município também precisou reforçar os estoques destes medicamentos, em razão do aumento da demanda. Porém, mesmo antes do controle estabelecido pela Anvisa, os produtos, gratuitos, só são fornecidos à população por meio de receituário médico.