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A jornada pedagógica pela vida

Paulo Cesar Razuk
| Tempo de leitura: 3 min

A vida no mundo é um comércio justo e uma jornada pedagógica. É preciso estar preparado para ela porque todo aprendizado é difícil principalmente quando se desvia do verdadeiro objetivo dessa viagem. Para cada pessoa existe algo que lhe é devido e que deverá ser pago agora ou mais tarde com os devidos juros. O aprendizado precisa ser rápido porque essa jornada é transitória e porque o corpo não é nosso, é da natureza e ela vai pegá-lo de volta.

Nesta viagem são necessárias certas moedas para serem usadas no caminho: a fraternidade e a caridade são duas delas. A fraternidade é necessária para que a caridade seja desinteressada e por consequência, para que a solidariedade seja legitima. A fraternidade aparece como propriedade da essência interna e a caridade como ação ou resultado externo de uma vontade interna.

O mundo onde essa viagem acontece é dual: se a fraternidade ilumina o caminho, o egoísmo o torna escuro e sombrio. O egoísmo é a sombra da fraternidade e ninguém existe para o egoísta se não tem nada para dar a ele ou se quiser tirar algo dele. O fraterno vai a Amazônia e aprende com a harmonia e a diversidade das coisas que lá existem. O egoísta vai a Amazônia e pensa em lucrar com a extração da madeira, portanto, é aquele que só vê lenha para sua fogueira.

Quem passa pela vida sem conhecer sua essência interna não encontra a fraternidade, não consegue estabelecer laços profundos com ninguém, usa os outros como matéria prima para seus interesses. Ser fraterno é saber que somos contas do mesmo colar, é saber que não há vazios entre nós. Para o ser fraterno não importa qual é o edifício onde se vai orar, pois, cada momento na vida dessa pessoa torna-se religião - não uma religião na qual se acredita, mas uma religião que se vive. O homem consciente da honra, o homem que tem sinceridade e cuja simpatia e devoção estão vivas, esse homem é um ser humano, esse homem é religioso.

O que é amar a Deus? É amar um Ser que se imagina viver em algum lugar, fazendo alguma coisa misteriosa e vestindo uma enorme túnica? Amar a Deus é amar os Seus atributos e a fraternidade é um deles, assim como a justiça, a integridade, a honestidade, a responsabilidade, a verdade, a bondade, a tolerância, o respeito, a beleza, o amor... e praticar esses atributos altera nossa frequência e nos aproxima Dele.

Quem passa pela jornada da vida precisa de referência, de direção. Essa referência são esses valores. Valores que permitem a construção de um ser verdadeiramente humano, pois, nos conduzem a Ele. A mestre sufi Rabia Al Basri, que viveu no Iraque entre 717 e 801 d.C. escreveu: "Senhor meu Deus, se eu Te busco por medo do Teu inferno, queima-me no Teu inferno. Se eu Te busco por desejo do Teu céu, expulsa-me do Teu céu. Mas, se eu Te busco apenas pelo que És, recebe-me no seio de Tua glória".

O autor é professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica - Faculdade de Engenharia da Unesp Bauru

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