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'Nova cartilha' já prevê afastar discurso mais radical de apoiadores


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Expandir o eleitorado, até agora, limitado à classe média antipetista, e se afastar do discurso mais radical de parte de seus apoiadores fazem parte da nova cartilha de Bolsonaro. E o auxílio de R$ 600 tem papel fundamental na nova estratégia.

O governo promete para os próximos meses investir na política de distribuição direta de renda e transformar o auxílio num novo programa, batizado de Renda Brasil, uma reformulação do Bolsa Família, marca da gestão do ex-presidente Lula, que o ajudou a cooptar os votos do eleitorado de baixa renda.

Políticos do Nordeste admitem que o pagamento do auxílio nos últimos meses ajudou a melhorar a popularidade de Jair Bolsonaro na região.

"Há um vazio deixado pelo Lula da Silva. As pessoas sabem que ele não é mais candidato e elas não são de esquerda. O auxílio que virá do Renda Brasil é mais que o Bolsa Família", disse Ciro Nogueira. Proposta em análise pelo Ministério da Economia prevê uma elevação do benefício médio de R$ 190,16 para R$ 232,31 por família.

O cientista político e economista da Universidade de Brasília (UnB) Ricardo Caldas avalia que, com o auxílio de R$ 600 e outras ajudas financeiras na pandemia, Bolsonaro conseguiu estancar a ideia de "fim de governo" e se descolar da conjunção de crises na saúde, na economia, na política e no mercado externo. "Neste momento de crise profunda, foram injetados R$ 250 bilhões na ponta da linha, fora o saque do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), o que impediu que houvesse depressão e o desemprego fosse imensamente maior do que o registrado", disse.

Para o cientista político Carlos Mello, do Insper, esse ganho do presidente em popularidade, neste momento, contudo, não deve se estender até as eleições de 2022. "Vamos ver como será lá na frente, pois existem problemas fiscais a serem enfrentados. É uma aposta. Dependerá de como a economia estiver na época das eleições e como isso refletirá no bem-estar das pessoas", disse.

AGENDA

Após dar a largada no giro pelo País em viagem a Bahia e ao Piauí, Bolsonaro esteve em Bagé na sexta (31), no Rio Grande do Sul, onde fez uma visita a uma escola cívico-militar. Lá, desembarcou vestindo um poncho, vestuário tradicional gaúcho.

Na próxima semana, nos dias 6 e 7, estão previstas viagem para Baixada Santista e para o Vale do Ribeira, onde deve visitar a obra de uma ponte em Eldorado (SP), cidade de 15 mil habitantes onde vivem sua mãe e familiares. Ainda em agosto, Bolsonaro deve voltar ao Nordeste.

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