Se Paris, ao longo do tempo e pelo mundo todo, é reconhecida como a "Cidade Luz", para mim, embora não seja bauruense nato, mas sim de coração, elegi e tenho Bauru como a "Cidade Charme". Nova e bonita, cativante, insinuante, comunicativa e receptiva porque a todos que aqui passam ou venham a residir, ela recebe com um sorriso meigo e cheio de amor que transmite carinho com a mensagem "sejam bem-vindos, meus queridos".
É essa admiração que sinto por esta 'Cidade Charme' não se formou nas quatro décadas que aqui moro consolidando a formação de minha querida família, mas a muitas, desde quando aquele menino, há setenta e cinco anos, após ter gozado as delícias de uma viagem de trem, de Garça a Bauru, segurando com força a mão do seu pai, subiu pela Rua Batista de Carvalho, temeroso mas confiante e maravilhado com tudo que via. Seu pai participaria de uma reunião da CPFL. Era sonho daquele menino que sempre ouvia seu pai, irmãos e outras pessoas amigas falarem sobre Bauru, dos seus prédios, avenidas e dos trens que aqui chegavam e partiam com suas bitolas "estreita e larga". E naquela manhã seu sonho realizou-se e até hoje é lembrado com carinho e saudades.
Agora, em todas as vezes que me dirijo ao querido prédio da Praça Machado de Melo com seus tradicionais hotéis a fim de participar das benfazejas reuniões da Academia Bauruense de Letras com os queridos confrades, sinto-me tristíssimo ao ver em seu pátio trens gloriosos e queridos estacionados definitivamente sem vida, as pinturas e murais que ainda ornam suas paredes internas. E o que se pensar, falar ou comentar, já adolescente ou rapaz, das esperadas "baldeações", quando com colegas e amigos viajávamos de férias para São Paulo e a aguardada baldeação, porque era comentadíssimo em minha cidade e toda região que a estação ficava cheia de moças bonitas que, acompanhadas de seus pais, também embarcariam no mesmo trem da bitola larga ou elétrico! Bauru era tida como "a cidade de mulher bonita". E como o meu irmão mais velho exclamava "eh... NOB" (Noroeste do Brasil). Quando o trem estava chegando, púnhamos a cabeça para fora da janela para ver como estava a plataforma. E, realmente, muita gente; muitas moças bonitas acompanhadas por seus pais e que também embarcariam para o mesmo destino. Bauru, 'Cidade Charme', quantas esperanças e suspiros você despertou nos jovens daqueles tempos e ainda continua nos mesmos que aqui vêm para frequentar suas escolas e universidades. Quantos aqui vêm morar por estudos, trabalho e outras razões, porém, sem o perceber o seu charme ficará marcado em suas vidas, histórias, memórias e, um dia, lembrar-se-ão. Deslumbram-se com suas avenidas, praças, bares e sua vida noturna. E depois, quando daqui partirem nunca mais a esquecerão. Quantos poetas e escritores inspirou e ainda inspira! Quando de longe, da rodovia, indo ou vindo durante o dia se avista os seus prédios que apontam para os céus, sente-se uma sensação indescritível e única motivada por aquilo que eu descobri ainda em tempo, o seu charme. Bauru, você é diferente! Em seus 124 anos de vida, você conseguiu e granjeou o que outras cidades tentaram e não conseguiram. Para mim você sempre foi, é e será uma 'Cidade Charme'. Feliz aniversário!