Em 26/07/20, no JC, recebi mais alguns questionamentos relativo ao texto "Além das falhas das pessoas", de 19/07/20. Vieram no mesmo estilo crítico de sempre, mas criticar é fácil, quero ver fundamentar e propor soluções. E diz também: "O mundo é dinâmico, tudo evolui e não há realidades eternas", mas sem afirmar que evolução defende. Depois, cita vários problemas de nossa democracia, insinuando que precisa mudar, mas também não sugere como.
Primeiro: "mudar" nem sempre leva ao melhor; pode ser que leve ao pior. E, a meu ver, a ideia de democracia continua a mesma de sempre (século V a.C.), que é dar ao povo poder de decisão. O povo elege seus representantes (parlamentares) para votar em seu nome, e estes fazem as leis que todo mundo tem que seguir. O sistema democrático é simples e, se houver falhas, serão das pessoas: das que votaram errado, das que foram eleitas mentindo, ou das duas ao mesmo tempo. Segundo: "é preciso inovar na democracia" é uma lorota que os socialistas inventaram para criar sua "democracia disfarçada". Por exemplo: Cuba tem um Conselho Popular, sem nenhum poder de decisão, escolhido a dedo pela cúpula cubana, só pra fazer algumas consultas de fachada, fingindo que é democracia. Na Venezuela, o disfarce é outro: o povo elege os parlamentares, mas a ditadura de lá também escolhe os juízes do seu Supremo Tribunal de Justiça, que bloqueia o poder do parlamento.
O governo Dilma Rousseff já estava preparando o País para uma futura "democracia petista", criando Conselhos Populares escolhidos por eles mesmos do seu arraial e, caso conseguissem o poder absoluto, alegariam ao povo que não precisariam mais votar, pois já estava sendo representado por estes conselhos. Felizmente não vingou, mas acho que esta turma ainda não desistiu, e mandam sempre alguém deles escrever nos jornais discursos inflamados e que é preciso inovar.
Na verdade, estava esperando outro questionamento que alguns amigos me fizeram: de onde tinha tirado os "US$ 50 tri" citados na parte do Bill Gates (BG), que se destacou pelos seus trabalhos de informática. Fazia sentido a dúvida, e aleguei que aquele texto já estava enorme, e se fizesse uma explicação detalhada, ele ficaria impublicável no jornal. Para entender o detalhamento a seguir, adotei o ano 1980 como o início do uso da informática (computadores, smartphones, ...) pelo mundo e, assim, o tempo que a sociedade já se beneficiou dos seus avanços será de 40 anos. Neste período, admitindo uma média do PIB Mundial (1 ano) = US$ 125 tri, resultaria para o PIB Mundial (40 anos) = US$ 5.000 tri. O US$ 50 tri é 1% deste valor.
Explicando! Os benefícios que a informática gerou no mundo, é um valor onde deveriam constar tudo que a sociedade recebeu de facilidades associadas aos computadores e smartphones. É muita coisa e difícil de calcular diretamente, e, assim, a pesquisa foi feita de forma indireta. Sabe-se que o PIB de qualquer País aumenta com a evolução dos negócios, empreendimentos ... e, certamente, o avanço da informática contribuiu muito pra isso. Mas quanto? Os US$ 50 tri citados, que seriam 1% do PIB mundial (40 anos) = 5.000 tri, representaria uma hipótese inicial para análise, do quanto o mundo foi beneficiado.
Será muito ou pouco? Dá a impressão que "1% em 40 anos" é pouco, e que o impulso da informática na sociedade foi muito maior e até perceptível, pelo menos em alguns Países. Será que os benefícios da sociedade compensou a fortuna que BG acumulou de US$ 100 bi? Poderíamos fazer várias hipóteses (1%, 2%, 4%, ...), obtendo a riqueza gerada (US$ 50 tri, US$ 100 tri, US$ 200 tri, ...) e, assim, é possível estar se aproximando do valor real, mas sem ter a certeza dele. Uma certeza teríamos: em qualquer das hipóteses, o ganho de Bill Gates US$ (100 bi = 0,1 tri) seria pago com folga como, por exemplo, na hipótese dos 4% sobraria pra sociedade US$ (200 - 0,1) tri = U$ 199,9 trilhões.
A forma mais exata de descobrir o quanto a informática ajudou a sociedade, requer um caminho da matemática não muito conhecido do público em geral. Seria necessário considerar o gráfico do PIB Mundial, ano a ano, em períodos antes e depois de 1980, e verificar como a curva foi se alterando na declividade a partir de 1980. Neste gráfico, como a declividade da curva vai representar a taxa de variação do "PIB Mundial por ano", é possível se obter uma resposta bem próxima do valor real. E tudo o mais que já disse se mantém, ou seja: se Bill Gates não existisse, também não existiria sua fortuna, nem os computadores e smartphones e estaríamos ainda nos tempos das máquinas de escrever e telefones comuns.
Neste caso, ninguém seria beneficiado e nem prejudicado, mas o mundo deixaria de ganhar um impulso fantástico.