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Com escolas fechadas, aumenta a oferta de creches irregulares

Estadão Conteúdo
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São Paulo - Enquanto escolas de educação infantil estão fechadas para conter a disseminação do coronavírus, casas sem autorização para receber crianças se transformam em "creches" improvisadas em São Paulo e região metropolitana. Sem controle rígido sobre higiene nem fiscalização, os espaços irregulares elevam o risco de propagação da doença.

"É um espaço onde cuido de criança para os pais poderem trabalhar nessa época da pandemia, em que as escolas estão fechadas", disse uma professora que abriu o que chamou de "espaço de recreação" em Guarulhos, após a escola onde trabalha ser fechada. Os cômodos viraram salas - há espaço para berçário e maternal, além de sala de TV e recepção. Um cartaz dá as boas-vindas aos alunos. Segundo conta, a casa foi alugada para esse fim, oferece recreação e atividades pedagógicas e recebe cinco crianças.

Cuidar de crianças em uma casa por tempo prolongado, mediante cobrança e sem que o espaço tenha aval da prefeitura para funcionar como escola, é prática irregular. A fiscalização, porém, esbarra na dificuldade de caracterizar a atividade escolar dentro de uma residência.

Segundo Eliomar Rodrigues, do sindicato que representa escolas de educação infantil de São Paulo, o número de imóveis residenciais que acolhiam crianças na cidade era baixo antes da pandemia. A partir dos anos 1990, com a pressão pela oferta de vagas em creches públicas e ampliação do acesso, houve redução das "mães crecheiras". "Agora essa atividade cresceu. Muitos desempregados viram nisso um nicho de mercado."

RISCOS

Para terem aval de funcionamento em São Paulo, escolas de educação infantil têm de cumprir exigências e são inspecionadas várias vezes ao ano. Mais do que tomar conta das crianças, devem garantir que desenvolvam habilidades como expressão de sentimentos, cooperação e convívio social.

Espaços irregulares oferecem riscos à segurança e à saúde das crianças. Além de problemas na estrutura física, como ausência de ventilação e controle sobre tomadas e outros objetos perigosos, há incertezas sobre as interações. "Não se tem controle sobre quem mora na casa, o perfil emocional e psicológico", diz Eduardo Marino, diretor de Conhecimento Aplicado da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal. Para ele, o poder público deveria abrir creches, excepcionalmente, para crianças vulneráveis, cujas mães já voltaram ao trabalho após o início da reabertura econômica.

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