Beirute - Uma explosão sem precedentes atingiu, na tarde desta terça (4), a cidade de Beirute, Capital do Líbano, levantando bolas de fogo e colunas de fumaça gigantescas e afetando construções a quilômetros de distância. O ministro da Saúde, Hamad Hassan, disse que o incidente deixou ao menos 78 mortos, além de mais de 4 mil feridos.
Paredes de prédios foram destruídas, janelas quebraram, carros foram virados de cabeça para baixo e destroços bloquearam várias ruas, forçando feridos a caminhar em meio à fumaça até hospitais. Segundo testemunhas, o estampido da explosão foi ouvido até na cidade costeira de Larnaca, no Chipre, a cerca de 200 km da costa libanesa.
Ainda não se sabe ao certo o que motivou o incidente, que ocorreu na zona portuária da Capital. Minutos antes da explosão moradores fizeram vídeos de uma nuvem de fumaça rosa, que parecia ser de um grande incêndio. Algumas luzes coloridas parecendo fogos de artifício também aparecem nos vídeos. Minutos depois, toda a região explode.
Segundo o chefe de segurança interna do Líbano, Abbas Ibrahim, a origem do episódio é uma área do porto com materiais altamente explosivos não há informação se a explosão foi proposital ou não. Ele disse que não iria especular sobre as causas para não atropelar as investigações.
Já o ministro do Interior, Mohamed Fehmi, afirmou que havia uma grande quantidade de nitrato de amônio, substância usada como fertilizante, armazenada no porto e que essa teria sido a causa da explosão.
Na primeira manifestação oficial do governo sobre o caso, o primeiro-ministro Hassan Diab decretou "um dia nacional de luto" nesta quarta (5). Diab disse, em um discurso televisivo, que os responsáveis pela explosão vão ser pagar o preço.
CENTRO MÉDICO EM COLAPSO
Georges Kettaneh, presidente da Cruz Vermelha Libanesa, citou "centenas de feridos" em um comunicado na televisão libanesa LBC e disse que muitas pessoas continuam presas em casas atingidas pelo fogo. Alguns estão sendo resgatados por barcos. "Estamos sobrecarregados pelos telefonemas", disse.
Segundo a TV libanesa LBCI, um dos hospitais da cidade está tratando mais de 500 feridos e não tem capacidade para receber mais ninguém. Dezenas deles precisam de cirurgias.
Na frente de outro centro médico, dezenas de feridos, incluindo crianças, algumas cobertas de sangue, esperavam para serem atendidos, segundo a agência de notícias AFP.
A área portuária foi isolada pelas forças de segurança, que só permitem a passagem de agentes da defesa civil, ambulâncias e caminhões de bombeiros. Nas proximidades do porto, a destruição é enorme.
A mídia local transmitiu imagens de pessoas presas a escombros, algumas cobertas de sangue.