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A cultura enraizada e a propaganda

Maria América Ferreira
| Tempo de leitura: 2 min

Durante séculos a civilização carrega a cultura machista, a cada geração de meninos e meninas que nascem. Assim que sai da barriga da mãe o bebê chora e, dependendo da intensidade do berreiro, se for menino, a frase que mais se ouve é: "Esse é macho". E existem outras frases que nem merecem ser citadas para diferenciar o que o menino e a menina poderão fazer ao longo da vida.

Mais recentemente surgiu a discussão sobre gênero. A sociedade passou a questionar o que até então era considerado o correto. Os homens eram considerados superiores às mulheres, não só em relação à força física, mas também à inteligência, à ética e ao comportamento. As mulheres eram o sexo frágil, até que a situação começou a se transformar, mesmo que isso não agrade a todos. Sem o feminismo barato que todo dia é enfiado goela abaixo pelas emissoras de televisão, através de propagandas institucionais de péssima qualidade, a realidade tem mudado consideravelmente.

Fugindo do mérito dessa questão, o fato é que houve mudanças na sociedade. Novos rumos surgem para os conceitos enraizados e entre todo esse emaranhado de fatos, discussão, até brigas, está a propaganda. A propaganda é a forma mais antiga de envolver uma pessoa e fazer com que ela ame ou odeie um determinado produto. A influência da propaganda na maneira de viver das pessoas é inegável. Não existe, com algumas exceções, alguém que em algum dia da vida não foi influenciado por uma propaganda. Mais do que a propaganda em si, seja de um produto ou de uma pessoa, está a mensagem subliminar que essa comunicação apresenta. E as empresas usam esse artifício para estimular a discussão sobre outros assuntos. Tem sido assim nos últimos anos, em especial quando uma empresa resolve quebrar as regras e apresenta situações incomuns.

Esse é o caso da Natura, marca brasileira forte em cosméticos, que atua em mais de 60 países. Está lançada a polêmica com uma de suas recentes propagandas para o dia dos pais, usando a figura de uma mulher que optou ser homem. Se a ideia era provocar, está feito. Logo surgiram as mais variadas reações, a favor e contra. Poucas são as manifestações da turma do 'deixa pra lá'. Isso só mostra o quanto a sociedade reluta em aceitar valores contrários ao comportamento tradicional. E a propaganda prova seu poder, de persuadir ou repelir as pessoas.

 A autora é jornalista, colaboradora com Opinião

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