Internacional

Emmanuel Macron vai a Beirute

FolhaPress
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Beirute- O presidente da França, Emmanuel Macron, foi o primeiro chefe de Estado a visitar o Líbano, depois da grande explosão na terça-feira (4) que destruiu a capital, Beirute. Nesta quinta (6), o número de vítimas subiu para ao menos 145 mortos e 5.000 feridos.

Ao chegar à cidade, o líder francês se posicionou como um articulador para organizar a cooperação internacional enviada ao Líbano, mas defendeu a necessidade de reformas políticas e econômicas e pediu que o país reforce o combate à corrupção. "A prioridade hoje é ajuda, apoio incondicional à população."

PROTESTO

As forças de segurança libanesas usaram gás lacrimogêneopara dispersar dezenas de manifestantes enfurecidos pela explosão de terça no porto de Beirute, que se tornou um símbolo da incompetência e corrupção das autoridades. Os manifestantes destruíram lojas e jogaram pedras na polícia no bairro do parlamento, segundo a Agência Nacional de Informações.

ASSISTÊNCIA MÉDICA

O governo da França, antiga potência colonial que administrou o Líbano no início do século 20, começou a enviar assistência médica e profissional a Beirute no dia seguinte à explosão.

"Quero organizar a cooperação europeia e, mais amplamente, a cooperação internacional", disse Macron.

Além da França, países como Alemanha, Rússia, Austrália, Qatar e Irã (rival histórico do Líbano) enviaram profissionais de saúde, hospitais de campanha e toneladas de suprimentos médicos. Enquanto caminhava por Beirute, Macron foi acompanhado por grupos de libaneses que entoavam palavras de ordem pedindo "revolução" e a "queda do regime". "Eu vejo a emoção no rosto de vocês, a tristeza, a dor. É por isso que estou aqui", disse ele a um grupo, apertando as mãos dos presentes. "Mas o que também é necessário aqui é uma mudança política. Essa explosão deve ser o início de uma nova era."

Macron prometeu à multidão que a ajuda da França não irá para "mãos corruptas. "Eu entendo a raiva de vocês. Não estou aqui para passar um cheque em branco ao regime."

SEM DISTANCIAMENTO

Aos gritos, uma mulher interrompeu a caminhada de Macron para acusá-lo de estar se encontrando com "os senhores da guerra", em referência ao presidente do Líbano, Michel Aoun, e ao premiê, Hassan Diab.

"Não estou aqui para ajudá-los, estou aqui para ajudar você", respondeu Macron, que abraçou a mulher.

A atitude contrasta com a postura do presidente francês ao desembarcar no aeroporto de Beirute e ser recebido pela comitiva do governo libanês. Usando máscaras e mantendo distância física, os líderes dos dois países se cumprimentaram apenas com um gesto de mãos e um aceno de cabeça.

 

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