Tribuna do Leitor

Coincidência, nada mais

José Misael Ferreira do Vale
| Tempo de leitura: 2 min

O brasileiro é observador de quase tudo que acontece no mundo. Vê, entretanto, com maus olhos o mês de agosto, cheio de desgosto. Por mera coincidência de datas, acontece muito fato pesado e mundano na história deste mês, visto pelas pessoas como algo pesado e profano.

No ano de 1945, início de agosto, toda gente de memória lembra de dia aziago, quando o povo do "sol nascente", parte do Eixo, foi duramente vitimado, por dois ataques atômicos devastadores em cidades médias desarmadas. Aos sete anos, aluno de escola pública, ao saber do fato, fiquei abismado. Ninguém, nem meu tio, souberam explicar-me o que era a tal "bomba". A resposta dos adultos era curta; diziam que era bomba que num zás reduzia tudo a pó e morte, "invenção de cientistas", obra de satanás.

Na minha cabeça de criança a bomba seria enorme para poder tudo estraçalhar. Mais tarde, vi, em fotografia, que o artefato era mediano, quase pequeno. Carregada pela "fortaleza voadora", a B-29, fora construída pela tecnologia americana. O artefato construído em "Los Alamos" mostrou o poder da ciência humana. Pelo rádio e jornais, os profissionais da notícia, os comentaristas, os analistas, reforçaram os programas radiofônicos de notícias conquistando o povo ouvinte.

Os jornais traziam reportagens focadas no triste e inusitado poder do átomo. O rádio foi extraordinário na circulação da notícia pela nação brasileira inteira, ao pôr o povo a par do "terror atômico" inaugurado no final da Guerra de 39-45. A Alemanha nazista, a Itália fascista e o Japão imperial foram devastados, de fato, numa luta que massacrou milhões de soldados e civis, postos no chão, sem perdão. Em 6 de agosto de 1945. duas cidades japonesas foram destruídas sem esboçar reação.

Na mesma data de agosto de 2020, a bela Beirute é arrasada pela incúria de pessoas na armazenagem e cuidados de substância química perigosa conhecida e bem sabida. Em poucos minutos presenciamos, num supetão, o horror da explosão do mineral, pondo ao chão boa parte da cidade, com centenas de mortes pegas de surpresa. Em 1948, quando estava em férias na casa da avó materna, em Jumirim, quando vi a destruição da estação causada pela explosão de um vagão, com 5 toneladas de dinamite. A pequena Jumirim (antiga Jurumirim) foi alertada pelo telegrafista de sua estação,

E assim vi, ao longe, no horizonte, a estação de Cerquilho com um cogumelo de fumaça no alto do céu, resultado da explosão espetacular que arrasou a estação e casas ao redor. Eu e minha família estivemos em Cerquilho e sentimos o horror da explosão inesperada. Muitos outros eventos poderiam ser relatados, como 24 de agosto de 1954, quando Vargas cometeu suicídio e quase levou o país à beira da desordem política institucional.

 

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