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Como sair da magia e adentrar a economia?

Adilson Roberto Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

A atenção no momento se volta à recuperação econômica, sem que tenhamos superados os desafios da pandemia do coronavírus e da Covid-19, doença por ele causada. Há ainda a possibilidade de haver uma segunda onda de contaminação, mas a ciência diz que temos de aguardar para saber. O receio maior é que, da mesma forma que não houve planejamento governamental para lidar com a crise gerada, tampouco haverá para sair dela.

Os sinais são visíveis, pois o desdém oficial desde o início levou a ações desarticuladas e, em alguns locais, a própria população declarou o fim da pandemia e tratou de voltar a suas atividades. Ao novo anormal, digamos, pois normal nossa frenética e consumista vida já não era. Fato é que o propalado crescimento econômico vendido para o segundo semestre de 2019 e início de 2020 jamais ocorreu, com aumento anual do PIB de no máximo 1% quando se esperava ao menos o triplo disso. Partindo de uma base já ruim, em março a crise da Covid-19 somente fez piorar o que estava pior, parodiando Alceu Valença.

Avançamos muito pouco desde meu último comentário neste espaço (Vacinas e cobaias, 12/6), pois o anúncio e o começo dos testes com a vacina contra a Covid-19 levou a três questões importantes: a) o Brasil passa a ser laboratório porque o contágio aqui estava - e parece estar em alguns locais - em franca ascensão, muito longe do controle; b) este estágio de testes com voluntários levará um bom tempo (até o ano que vem, pelo menos) para que se chegue à vacinação em massa, caso a vacina seja segura e efetiva; e c) o Instituto Butantan e outras instituições paulistas de pesquisa estão sendo desmontadas e sucateadas, o que cria mais uma insegurança para a retomada econômica.

Não bastasse isso, vemos que não abandonaram a virtualidade da campanha eleitoral, mesmo quase dois anos depois, e panacéias são apresentadas como soluções mágicas. Uma delas é ressuscitar a CPMF, cuja melhor comparação é com a cloroquina, pois, além de comprovadamente ineficiente para o mal que diz curar, é danosa sua aplicação, necessitando de um monitoramento constante para os efeitos colaterais.

A economia requer mais do que magia de representante dos Chicago's Boys (ou seria Oldies?), pois se Keynes está salvando da crise, outras inteligências deverão manter-nos fora dela. E inteligência não é condição que se encontra no governo que aí está.

 O autor é pesquisador na Unesp - adilson.goncalves@unesp.br

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